Andrew Caballero-Reynolds / AFP
Andrew Caballero-Reynolds / AFP

Paralisação do governo dos EUA pode seguir durante o Natal e talvez até janeiro

Para o diretor de orçamento da Casa Branca, é muito provável que a interrupção das atividades nas agências federais prossiga até o novo Congresso assumir

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de dezembro de 2018 | 16h55

WASHINGTON - A paralisação parcial do governo dos Estados Unidos entrou neste domingo, 23, no segundo dia e prosseguirá durante o Natal, depois que o Congresso suspendeu o debate orçamentário sem chegar a um acordo sobre os recursos para o muro na fronteira com o México, exigidos pelo presidente Donald Trump.

Com a paralisação, que provocou a interrupção das atividades em várias agências importantes do país, o presidente desistiu de viajar à Flórida e anunciou que permanecerá em Washington durante o Natal.

Para o diretor de orçamento da Casa Branca, Mick Mulvaney, é muito provável que a paralisação prossiga até janeiro. "É muito possível que este ‘shutdown’ prossiga além do dia 28 e até o novo Congresso", disse ele ao canal Fox News. A primeira reunião da nova legislatura está prevista para 3 de janeiro.

Em sua conta no Twitter, Trump disse que estava "negociando com os democratas sobre a segurança na fronteira que é desesperadamente necessária (gangues, drogas, tráfico de pessoas e mais)".

O republicano, que transformou a luta contra a imigração ilegal em sua principal meta, rejeitou na quinta-feira um texto de compromisso orçamentário preparado no Senado porque não incluía um fundo de US$ 5 bilhões para financiar o muro.

Os democratas se opõem com veemência à construção. A falta de um acordo provocou a expiração dos fundos federais para dezenas de agências à meia-noite de sexta-feira. Quase 800 mil funcionários públicos entraram em licença não remunerada ou, no caso dos serviços considerados essenciais, são obrigados a trabalhar sem pagamento.

A Câmara de Deputados e o Senado realizaram sessões no sábado, mas as duas Casas adiaram os debates sem chegar a um acordo. Uma votação não deve acontecer antes de 27 de dezembro.

Críticas

Visitantes do famoso Museu Nacional, em Washington, criticaram a paralisação". "É ridículo e desnecessário", disse Philip Gibbs, professor aposentado da Virgínia. Jeffrey Grignon, profissional da área de saúde de Wisconsin, afirmou que os políticos "precisam parar de agir como crianças e fazer o seu trabalho". "Não são apenas uma ou duas pessoas, são todos eles.”

Embora os turistas consigam passear em geral pela região, encontraram os banheiros fechados, assim como alguns pontos na capital, como a Árvore de Natal, o Arquivo Nacional e o centro de visitantes da Casa Branca. A Estátua da Liberdade em Nova York permanecia aberta ao público graças ao financiamento de suas atividades pelo Estado de Nova York.

A paralisação parcial afeta departamentos importantes como Segurança Nacional, Justiça, Comércio, Transporte, Tesouro e Interior, que administra os parques nacionais, muito visitados durante as férias. Ao mesmo tempo, a Autoridade de Supervisão do Transporte Aéreo (FAA, na sigla em inglês) afirmou que o bloqueio não provocou nenhum efeito para a segurança dos passageiros.

Para Hank Johnson, congressista democrata da Geórgia, a paralisação prejudica os funcionários que "merecem poder pagar o aluguel, os presentes de Natal e a refeição". "As coisas não vão bem nos EUA", disse o legislador republicano Carlos Curbelo no Twitter.

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, culpou o presidente pela situação. "Presidente Trump, se deseja abrir o governo, abandone o muro, claro e simples.” O bloqueio acontece porque o "presidente Trump está exigindo bilhões de dólares por um muro caro e ineficiente que a maioria dos americanos não apoia", completou.

"Isto é uma negligência por parte do Congresso e do presidente", disse David Cox, presidente da Federação Americana de Funcionários do Governo (AFGE), o principal sindicato da categoria.

Cenário

A maioria republicana na Câmara dos Deputados aprovou uma proposta de orçamento que incluía as demandas do presidente sobre o muro na fronteira, mas a medida foi bloqueada no Senado.

Com apenas 51 cadeiras das 100 no Senado, os republicanos não têm os 60 votos necessários para aprovar uma lei de orçamento. E não podem contar com o apoio dos democratas, que rejeitam categoricamente a ideia do muro.

Para Trump o tempo é curto, porque os democratas serão novamente maioria na Câmara em janeiro, após a vitória nas legislativas de novembro. Além disso, a paralisação acontece em um contexto de tensão, após o anúncio presidencial esta semana sobre a retirada das tropas americanas da Síria, o que provocou a renúncia do secretário de Defesa, Jim Mattis, e do enviado para a coalizão internacional antijihadista, Brett McGurk. / AFP

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