Bill Striffler via AP
Bill Striffler via AP

Paralisação nos EUA deixa mais de 800 mil funcionários sem salário 

No 21º dia da paralisação, servidores federais, pagos a cada 15 dias, deixaram de receber seus salários pela primeira vez

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2019 | 16h55

WASHINGTON - Os cerca de 800 mil funcionários federais americanos afetados pela paralisação parcial do governo não receberão seus salários, pela primeira vez, nesta sexta-feira, 11, enquanto o presidente Donald Trump ameaça recorrer a um procedimento excepcional para financiar seu projeto de erguer um muro na fronteira com o México.

No 21º dia de "shutdown", ou paralisação, que afeta parte das administrações, não parece haver avanços nas negociações entre Trump - que quer destinar US$ 5,7 bilhões do orçamento para cumprir sua promessa de campanha - e a oposição democrata no Congresso - que se nega a liberar esses fundos para financiar uma obra que considera "imoral", cara e ineficaz para combater a imigração ilegal.

Se antes da meia-noite desta sexta-feira, 11, não houver acordo, essa paralisação será a mais longa da história, superando os 21 dias de outra paralisação orçamentária ocorrida entre 1995 e 1996 durante o mandato de Bill Clinton.

Enquanto isso, cerca de 800 mil funcionários públicos de vários departamentos e agências federais não receberam o seu salário nesta sexta-feira. A maioria deles recebe a cada quinzena e, por isso, o pagamento foi feito no fim de dezembro.

Para metade dos funcionários, considerados "não essenciais", foi dada uma licença sem salário, enquanto a outra metade se retirou temporariamente.

A paralisação atinge vários deparamentos fundamentais, como os de Segurança Nacional (DHS), Justiça e Transporte. "Mais de 200 mil funcionários do DHS - encarregados de proteger o nosso espaço aéreo, nossas vias fluviais e nossas fronteiras - não receberão o seu salário enquanto trabalham", denunciou Bennie Thompson, presidente democrata da Comissão para a Segurança Nacional da Câmara dos Deputados.

Os principais sindicatos do transporte aéreo, entre eles os de pilotos, tripulação e controladores aéreos, denunciaram na quinta-feira que a situação está piorando, e advertiram sobre o risco que isso impõe à segurança do país.

Cerca de 2 mil funcionários se manifestaram na quinta-feira em Washington para mostrar a sua inquietação pela deterioração de suas condições de vida.

'Feitos reféns' 

"Temos contas a pagar. Temos de pagar nossas hipotecas", se queixou à France-Presse Anthony, um funcionário público da Guarda Costeira.

"Sempre tive o salário mais alto em casa e os tempos são difíceis agora que o dinheiro não chega. Felizmente temos algumas economias para sobreviver, mas não durarão muito", explicou. Nós, funcionários, fomos "feitos reféns" pelo presidente, acrescentou.

Ao longo do país são organizadas iniciativas privas e públicas, como distribuição gratuita de comida e feiras de emprego para funcionários tecnicamente desempregados.

A paralisação afeta também os recém-casados, que não podem legalizar a sua união pela falta de funcionários federais.

Diante de um panorama nada encantador no Congresso, Trump ameaçou recorrer a um procedimento de emergência nacional. "Se não chegarmos a um acordo, o mais provável é que eu faça o que disse que faria", afirmou na quinta-feira ao canal Fox News, à margem de uma visita à colônia McAllen, na fronteira com o México. 

"Temos o direito absoluto de declarar uma emergência nacional, é um problema de segurança", argumentou o bilionário republicano.

Mas este mecanismo que concede ao presidente poderes extraordinários acabaria, previsivelmente, nos tribunais, uma situação que agravaria ainda mais a crise política. 

A Casa Branca planeja desviar os fundos de ajuda de emergência para áreas devastadas por desastres naturais, como Porto Rico, para financiar a construção do muro fronteiriço, segundo publicações da mídia americana.

Uma paralisação prolongada do governo federal "teria um efeito considerável" na maior economia do mundo, advertiu o chefe do Federel Reserve (Fed), Jerome Powell. / AFP 

 

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