Federico Parra/AFP
Federico Parra/AFP

Paramédicos motorizados, 'anjos' que ajudam a salvar vidas em Caracas

Os Anjos das pistas, como se chamam esses 12 paramédicos, atendem gratuitamente emergências na capital da Venezuela

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2020 | 03h30

CARACAS - Zully é um "anjo" que voa: em vez de asas, transita com uma moto carregada de remédios e de material médico. Uma ONG de paramédicos motorizados atende acidentes em Caracas diante de um sistema de saúde público deficiente.

Os Anjos das pistas, como se chamam esses 12 paramédicos, atendem gratuitamente emergências na capital da Venezuela, diante da "situação muito difícil" da equipe pré-hospitalar dependente do Estado, conta à agência France Presse a arquiteta Zully Rodiz, de 38 anos.

Esses voluntários com profissões tão diversas como arquitetos, repórteres e designers são treinados na área da saúde. Um deles recebe um telefonema: um homem foi ferido em um acidente na estrada.

Eles embarcam em suas motos de alta velocidade e chegam rapidamente ao local da emergência. Levam cinco minutos para imobilizar a perna direita de um motociclista que colidiu com um carro e que pouco depois será levado para o hospital em uma ambulância do serviço de defesa civil.

Atender acidentes de trânsito é tarefa dos bombeiros, mas suas dificuldades orçamentárias abriram caminho para essa ONG. Seus membros fizeram cursos de saúde em hospitais e agora, em parceria com médicos, ministram oficinas para novos candidatos. Desse modo, as autoridades lhes permitem agir.

"Se emocionam quando veem que chegamos, sabem que estamos equipados", diz Zully.

A fundação nasceu em novembro de 2018, com a ideia de ajudar, devido aos baixos salários da equipe pré-hospitalar e à falta de recursos.

"Aqui os paramédicos são muito mal pagos", lamenta Rodolfo Alvarado, que abandonou uma brigada de incêndio municipal para ganhar a vida com fumigações. Trabalha com os "anjos" em seu tempo livre.

Neste país de 30 milhões de habitantes, há apenas 206 leitos de UTI em centros de saúde públicos, de acordo com organizações independentes. A ONG Médicos Pela Saúde denunciou que, em 2019, houve uma escassez de 50% de medicamentos e suprimentos em hospitais e que mais de 70% deles apresentavam falta de água ou eletricidade.

'Alto risco de contágio'

Com sacolas laranja de aproximadamente 15 kg, cheias de doações privadas, os "anjos" se revezam no plantão das 8 da manhã às 8 da noite em uma praça do leste de Caracas.

Não se dedicam ao atendimento de casos do coronavírus, centralizado pelo governo, mas correm "alto risco de contágio", reconhece Zully.

Segundo dados oficiais, na Venezuela, foram registrados 4.048 casos e 35 mortes até segunda-feira, números que são questionados por organizações como a Human Rights Watch./AFP 

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