Paramilitares colombianos apostam na paz decretando trégua

Por meio de sua página na Internet, as Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC), o principal grupo paramilitar de direita do país, anunciaram nesta sexta-feira que suspenderão unilateralmente suas hostilidades a partir de domingo, 1º de dezembro, e apresentarão ao presidente Alvaro Uribe uma proposta de 12 pontos para iniciar um processo de negociações. Esta organização, acusada por numerosos crimes e que combate a guerrilha colombiana, tem em suas fileiras aproximadamente 10 mil combatentes distribuídos em uma dezena de frentes.O documento de 12 pontos, no qual anunciam também sua dispoição de abrir prontamente um diálogo, está assinado por Carlos Castaño e Salvatore Mancuso, assim como pela maioria dos chefes das unidade que compõem as Autodefesas Unidas de Córdoba e Urabá (ACCU), que reúnem 70% das forças antiguerrilha. Esses combatentes só utilizariam suas armas em defesa própria em caso de serem atacados pela guerrilha, já que confiam na "reciporcidade do Estado".Fora desta declaração ficaram apenas o Bloco Central Bolívar, com 3 mil homens, acusado por Castaño de ser uma unidade a serviço do narcotráfico e que, segundo a carta, poderia fazer seu próprio anúncio de trégua nos próximos dias. Somente o Bloco Metro, com influência sobre Medellín - segunda maior cidade colombiana - e zonas rurais das imediações, não acatariam a trégua.No documento, além da declaração de cessação das hostilidades a partir de domingo e da proposta para que os diálogos com o governo se iniciem de imeditato, sob a supervisão da Igreja Católica, as AUC pedem para serem reconhecidas como atores do conflito armado e alertam que usarão do direito de legítima defesa se durante a trégua forem atacadas pela guerilha em territórios sob seu controle.Foros e debatesOs paramilitares advogam a abertura de foros e debates, com a participação de atores sociais, para o estudo dos caminhos da paz e também exigem que o Estado dê proteção aos povoados, à infra-estrutura produtiva e invocam a necessidade de investimentos nacionais e estrangeiros em territórios sob a influência das AUC. Também pedem que o governo garanta o sustento de seus combatentes enquanto durar o processo de diálogo e anunciam que entregarão à Unicef os menores combatentes que se recuperaram da guerrilha.Contando com a colaboração do Escritório das Nações Unidas para os Refugiados, disseram comprometer-se a contribuir para o regresso dos refugiados internos nas zonas sobre as quais exercem domínio. Propõem erradicar os cultivos ilícitos e iniciar um processo de renovação econômica com a ajuda da comunidade internacional e dos organismos multilaterais de crédito.Na carta, também dirigida ao cardeal Pedro Rubiano e ao Alto Comissário de Paz Luis Carlos Restrepo, também pedem a suspensão das ações judiciais contra os que fizerem parte da equipe negociadora das AUC e pedem a busca de mecanismos para a libertação dos paramalitares atualmente presos.ExtradiçãoO governo dos EUA incluiu há um ano as AUC entre as organizações terroristas e em setembro pediu a extradição de Castaño e de Mancuso, por sua participação nas operações de introdução dos carregamentos de cocaína em território americano. Castaño havia reconhecido que sua organização se financia em parte com "impostos" para os cultivos de coca, mas promete abandonar o narcotráfico como fonte de receita.Mancuso, por sua vez, admitiu temer que a desesperadora situação social em que vivem os colombianos sirva de caldo de cultura para novos grupos armados. "Se quisermos uma paz duradoura, será necessário que haja investimento social, nacional e estrangeiro", advertiu o combatente e administrador agropecuário. Se não for assim, em curto espaço de tempo vão surgir outros novos grupos devido à desordem social e à pobreza existentes".O chefe paramilitar, que iniciou um grupo de autodefesas no início dos anos 90 para defender-se das extorsões e seqüestro de que foi vítima por parte da guerrilha no departamento (estado) de Córdoba, alegando falta de proteção estatal, não deu um possível cronograma para a desmobilização de suas forças. "Sabemos que o que hoje iniciamos conduzirá à solução dos problmeas nacionais e, portanto, dos nossos", disse.

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