Paramilitares colombianos se desentendem

Enquanto não se confirma a renúncia do chefe paramilitar Carlos Castaño, começa a ganhar força, junto aos meios de comunicação e a vários analistas, a hipótese de uma divisão interna das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC). Ao mesmo tempo, perde força a tese sobre um ataque de hackers à página das AUC na internet, a www.colombialibre.org, que divulgou na última quarta-feira a mensagem sobre a renúncia de Castaño, devido à demora do chefe paramilitar em desmentir a notícia. Uma luta entre "moderados" e "duros" em torno dos métodos de combate a serem utilizados e o tipo de resposta que deveria ser dada à recente ofensiva do Estado contra a organização teria motivado a renúncia de Castaño, diz hoje o jornal El Espectador. O jornal El Tiempo concorda com a hipótese da renúncia resultante de divergências ideológicas, mas acrescenta que ela poderia ser "protocolar", ou seja, Castaño poderia ter renunciado para reforçar sua liderança ao se dar conta de que isto era indispensável para a organização, que cresceu muito nos últimos anos. Dos 850 homens com que contava em 1992, as AUC contam atualmente com cerca de 8.150 membros, segundo o Ministério da Defesa da Colômbia. Embora temido por sua violência, Castaño é visto por muitos como relativamente moderado dentro de uma organização que inclui chefes mais sanguinários. São três os nomes mais citados hoje como possíves sucessores de Castaño - todos três procurados por assassinato e associação para ações criminosas. Salvatore Mancuso, considerado o braço direito do chefe das AUC, é um forte candidato a assumir o comando dos paramilitares. Descendente de italianos, Mancuso, de 37 anos, tem seu quartel-general em Córdoba, no noroeste do país, onde as autoridades acreditam que estejam concentrados os financiadores dos esquadrões de extrema direita. Ramón Isaza, o comandante mais antigo das autodefesas, de 61 anos, exerce influência na área do Magdalena Médio - o eixo fluvial do país, onde existem importantes recursos petrolíferos. Hernán Giraldo, líder do grupo "Los Chamizos", também é mencionado. Sua zona de influência vai desde Sierra Nevada de Santa Marta, no norte da Colômbia, até o Magdalena Médio. O ex-assessor de segurança nacional Alfredo Rangel acha possível a renúncia de Castaño, que poderia estar associada aos distintos métodos a serem utilizados pelas AUC para responder aos ataques provenientes da polícia e do Exército colombianos. Nesta sexta-feira, o presidente Andrés Pastrana - que, pressionado ao mesmo tempo por Washington e pela guerrilha esquerdista, ordenou a intensificação da ofensiva contra os paramilitares -, afirmou em uma cerimônia militar que nos primeiros quatro meses de 2001 "foi triplicado o número de membros das AUC capturado pelas forças governamentais. De 82 detidos no ano passado, o número em 2001 já chega a 242". "Se Castaño sair de cena e não houver ninguém tão carismático, com as mesmas habilidades de liderança, nas fileiras da AUC... a situação poderia degenerar em guerras regionais", alertou Rangel em entrevista à Associated Press.

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