Paramilitares pedem ´comissão da verdade´ na Colômbia

Um grupo de ex-comandantes paramilitares colombianos pediu na quinta-feira aos que apoiaram sua atividades na últimas décadas que não receiem aceitá-los perante uma "comissão da verdade" para que se esclareça "a origem, a evolução e o modo como operavam" esses exércitos clandestinos. Os ex-chefes paramilitares, presos em um antigo centro recreativo ao noroeste do país, divulgaram uma carta dirigida ao presidente Álvaro Uribe e à comunidade internacional na qual solicitam a criação de uma comissão "integrada por cidadãos de elevada formação ética e acadêmica", para ouvir seus testemunhos. "Pedimos publicamente aos que foram nossos incentivadores, colaboradores e beneficiários diretos - empresários, industriais, dirigentes políticos e de agremiações, funcionários, líderes regionais e locais, membros das forças de segurança, entre outros -, que nos acompanhem sem apreensão nem temor nesta tarefa", assegurou o documento. José Lafaurie, presidente de uma associação de fazendeiros, disse em discurso na quinta-feira à noite no porto turístico de Cartagena que o grupo assume a responsabilidade como um coletivo. "Os fazendeiros tiveram de atravessar o incêndio da violência rural e ninguém passa por um incêndio sem se chamuscar, mas não somos os responsáveis pelo incêndio." Por sua vez, Mauro Solarte, juiz da Corte Suprema de Justiça (CSJ), disse em uma entrevista coletiva, em Bogotá, que não vai se submeter a pressões de nenhum lado (guerrilha e paramilitares). "Não sou pusilânime nem tampouco vou agir com arrogância". A entidade Autodefesas Unidas da Colômbia, que participa das negociações de paz com o governo, garantiu que os ex-comandantes confessariam os delitos a eles atribuídos, com a condição de que não serão extraditados para os Estados Unidos, onde vários ex-chefes são acusados de narcotráfico. Escândalo Os pronunciamentos ocorrem em meio a um escândalo que atingiu o Congresso e o governo de Uribe, por causa das investigações que se desenrolam na Corte Suprema para estabelecer vínculos de políticos com organizações de extrema direita. A CSJ ordenou na semana passada a prisão de três parlamentares, de uma ex-senadora e de políticos departamentais, todos aliados políticos do governo, por considerá-los suspeitos de haver cometido crimes em conluio com grupos paramilitares do Departamento de Sucre, no norte do país. Os grupos paramilitares colombianos nasceram respaldados por fazendeiros assediados pela guerrilha de esquerda, mas em pouco tempo se envolveram com o narcotráfico. São também apontados como responsáveis por atrocidades contra a população civil. Cerca de 31 mil paramilitares se desmobilizaram no processo de paz promovido pelo governo Uribe.

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