Paramilitares se livram de prisão na Colômbia

Quando Carlos Mario Ospina ingressou num grupo paramilitar de direita, em 1997, as milícias da Colômbia estavam apenas começando a ampliar a presença em sua região. Para expulsar guerrilheiros de esquerda, eles realizaram uma série de massacres, desaparecimentos forçados e assassinatos.

SIBYLLA BRODZINSKY, CHRISTIAN SCIENCE MONITOR, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2014 | 02h01

Ospina ascendeu rapidamente na hierarquia e, em 2004, chefiava a atividade paramilitar no Departamento de Putumayo, sudoeste da Colômbia. Quando aceitou se desmobilizar, em 2006, já havia supervisionado o assassinato ou desaparecimento de mais de 200 pessoas.

Sua desmobilização - juntamente com a de outros 30 mil membros das Autodefesas Unidas da Colômbia - veio depois de negociações com o governo do ex-presidente Álvaro Uribe. Líderes paramilitares receberam originalmente a promessa de que não seriam presos, mas isso foi alterado por uma lei de 2006 que estabeleceu uma pena máxima de oito anos.

Houve uma barganha: milicianos deveriam revelar a verdade sobre milhares de mortes e desaparecimentos e oferecer compensação para vítimas e suas famílias. Mas, oito anos depois, apesar de ter confessado publicamente seus crimes e enfrentado suas vítimas, Ospina ainda não foi condenado. Ele diz que pagou sua dívida com a sociedade nos termos do acordo de desmobilização.

Pelo menos 161 líderes paramilitares presos poderão receber liberdade condicional este ano depois de cumprir a pena. No entanto, somente alguns deles foram realmente condenado. Muitos colombianos estão indignados com a ideia de reintegrar assassinos, torturadores e criminosos violentos à sociedade após um período curto de prisão. Para o governo, porém, honrar suas promessas é crucial para o futuro da Colômbia.

Desde 2012, o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) negociam em Havana o fim de meio século de guerra. Os rebeldes estão observando atentos para ver se o governo cumpre o acordo que firmou com paramilitares.

"Temos a obrigação de honrar os compromissos feitos nas negociações com os paramilitares", afirma Hector Eduardo Moreno, chefe da justiça de transição no escritório da Procuradoria-Geral. "É um recado importante para as Farc."

O impasse parece longe do fim. Muitos colombianos acham que os comandantes das Farc devem ser condenados ao menos a oito anos de prisão, como os paramilitares, mas líderes guerrilheiros rejeitam cumprir qualquer pena de prisão. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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