Paramilitares tiram tudo dos camponeses

Outra tática dos grupos armados colombianos para levantar recursos é extorquir dinheiro de comerciantes e donos de terras. Proprietário de 46 hectares em Necoclí, Antonio Herrera foi sequestrado por um grupo paramilitar, torturado e obrigado a passar para o nome do chefe do bando tudo o que tinha: duas casas, as terras e 350 cabeças de gado.

O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2014 | 02h03

Em uma tentativa de fuga, levou um tiro. Os criminosos passaram a fazer visitas à mulher dele, em casa com o filho pequeno e a filha de 15 anos, e os ameaçavam. Até que a família entregou tudo ao grupo.

"Os paramilitares eram antes camponeses que protegiam a população das Farc, mas se tornaram tão violentos quanto os guerrilheiros". É o que Antônio chama de narcoparamilitares e narcoguerrilheiros. "É tudo a mesma coisa. Eles nos torturam, nos matam. O governo foca as negociações de paz nas Farc, mas os outros são piores."

A família fugiu para Medellín, e lá denunciou os criminosos. Eles, porém, foram descobertos. Uma noite, escaparam para a fronteira com o Brasil trazendo apenas a roupa do corpo.

Em Tabatinga, pediram refúgio à PF. Receberam abrigo e uma passagem para Manaus. "Mas não podíamos permanecer em Manaus, que está a um passo da Colômbia. Eles nos encontrariam lá."

A família pegou um barco até Belém, onde passou a viver nas ruas. Uma assistente social os ajudou a mudar para São Paulo, onde receberam R$ 600 por mês da Cáritas durante três meses. Por segurança, a família continua mudando de endereço, de tempos em tempos, quando Antônio consegue juntar dinheiro fazendo bicos. / A.C.

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