Paranoia em um país que não existe

Chegar à República de Nagorno-Karabakh (RNK) não é tarefa das mais fáceis. O acesso ao território só é possível a partir da Armênia. As fronteiras com o Azerbaijão, a leste e ao norte, estão tomadas por trincheiras e formam a linha de frente, onde o cessar-fogo de 1994 é frequentemente violado por ambos os lados. Ao sul, a fronteira com o Irã também está fechada. O jeito é seguir por uma longa, esburacada e tortuosa estrada que corta o terreno montanhoso do sul da Armênia. De Erivan a Stepanakert são pouco mais de 320 quilômetros. O trajeto, no entanto, leva quase oito horas.

Solly Boussidan, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2011 | 00h00

A Armênia é separada do território pelo estreito corredor de Lachin, uma área que, apesar do controle da RNK, não fazia parte do território durante os anos de regime soviético. Quando finalmente se chega ao posto de controle da RNK, o que se vê são dois antigos trailers com diversos policiais vestindo uniformes muito similares aos da antiga polícia soviética. Do lado armênio, não há qualquer controle e a passagem é livre.

Mesmo do lado da RNK, apesar do policiamento na fronteira, poucos são os veículos parados para inspeção. O controle maior é feito por policiais nas estradas do território e por oficiais de inteligência que observam e monitoram as conversas telefônicas de estrangeiros.

Para o visitante, a única diferença clara entre estar na Armênia e na RNK tem a ver com a obsessão das autoridades de Karabakh em controlar os visitantes estrangeiros. Enquanto a Armênia recebe turistas e jornalistas de braços abertos, a burocracia da RNK parece não ter fim. O Estado tentou, sem sucesso, obter credenciamento junto à representação diplomática da RNK na Armênia, tendo sido instruído a obter vistos turísticos diretamente na sede do Ministério de Relações Exteriores da RNK, em Stepanakert, onde formalizou novamente a solicitação de credenciais.

Mesmo com o visto emitido, o Estado foi seguido, monitorado e interrogado por mais de duas horas por oficiais da inteligência de Karabakh, que sugeriram que a reportagem deixasse o território "para a segurança e integridade do jornalista".

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