Parceiros do Sudão criticam tribunal

Árabes, africanos, China e Rússia dizem que decisão ameaça a paz

, O Estadao de S.Paulo

05 de março de 2009 | 00h00

Países africanos e árabes, além de Rússia e China, desaprovaram ontem a decisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) de expedir um mandado de prisão contra o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, alegando que a medida pode desestabilizar a região e ameaça o frágil cessar-fogo em Darfur. A ONU anunciou que manterá relações com Bashir, que continua sendo o chefe de Estado do Sudão.Ministros da Liga Árabe reuniram-se ontem no Cairo e manifestaram "forte insatisfação" pela medida e "solidariedade" a Bashir. Em nota, a Liga anunciou o envio de uma delegação ao Conselho de Segurança da ONU para pedir o adiamento da execução do mandado. O estatuto do TPI diz que o Conselho de Segurança tem o direito de intervir em suas decisões.Alguns países africanos ameaçaram sair da corte em retaliação. Treze países africanos estão entre os 108 Estados-membros do TPI. O presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, afirmou que a medida "ameaça a paz" na região e criticou o tribunal. "A justiça internacional parece aplicar a luta contra a impunidade apenas na África, como se nada tivesse ocorrido no Iraque, Gaza, Colômbia ou Cáucaso." Segundo o governo russo, a decisão do tribunal abre "um precedente perigoso". Os críticos do TPI temem que a medida leve a um endurecimento do governo de Bashir contra opositores e rebeldes. Muitos parceiros do Sudão têm um grande interesse na estabilidade no país. A China compra dois terços do petróleo sudanês; Estados do Golfo têm investimentos substanciais no Sudão e o Egito deseja manter a segurança regional e o livre acesso às águas do Rio Nilo.Já a União Europeia expressou apoio ao TPI e exortou o Sudão a "cooperar plenamente" com a corte. Os EUA também indicaram aprovação, mas foram cuidadosos com as palavras. "Quem cometeu atrocidades deve prestar contas", disse o porta-voz da Casa Branca. AP, AFP E EFE CONDENAÇÕES"A justiça internacional parece aplicar a luta contra a impunidade apenas na África, como se nada tivesse ocorrido no Iraque, Gaza, Colômbia ou Cáucaso"Jean Ping, presidente da Comissão da União Africana"Quando a guerra começou, cada um dos lados buscou aliados para lutar. Foi isso que aconteceu. E isso é normal." (Referindo-se à acusação do Tribunal Penal Internacional de que teria ocorrido uma cooperação entre as milícias Janjaweed e o governo nacional em massacres) "Não houve mais de 10 mil mortos, e isso de todos os lados do conflito"Issa Mahmoud, vice-governador da região de Darfur

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.