Parceiros externos temem possível reforma

Países que mantêm relações próximas com a Venezuela na região observam apreensivos a sucessão de Hugo Chávez. Nações como Cuba, Colômbia e Nicarágua tiveram destaque na política externa conduzida pelo líder morto em março - tendo Nicolás Maduro como chanceler por seis anos.

CARACAS, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2013 | 02h01

Uma possível mudança na parceria entre os governos de Caracas e de Havana após uma reforma econômica que, segundo analistas, seria inevitável para qualquer um que fosse eleito presidente da Venezuela ontem causa receio no regime castrista, já que Cuba recebe até 115 mil barris de petróleo venezuelano por dia.

Em troca, especialistas cubanos das áreas de saúde publica, pesquisa e esporte oferecem sua colaboração para o chavismo. Estima-se que a Venezuela invista, anualmente, US$ 3,5 bilhões na ilha. Entre 2005 e 2010, Caracas gastou por ano praticamente o dobro desse valor: um total de US$ 34 bilhões.

Uma suspensão ou a diminuição da ajuda venezuelana e a possível crise subsequente em Cuba, afirmam analistas políticos, deverá levar o governo de Raúl Castro a intensificar sua busca por outros parceiros externos, assim como aprofundar as reformas socioeconômicas que vem aplicando, para atrair investidores.

A ausência de Chávez preocupa os países da Aliança Bolivariana das Américas (Alba), da qual Cuba também faz parte. Com a morte de seu idealizador, a existência do bloco está em risco. Em termos econômicos, a ajuda oferecida por Chávez à Nicarágua, também membro da Alba, foi fundamental para os rumos do governo de Daniel Ortega. Mesmo sob críticas da oposição venezuelana, que acusa o governo de dar petróleo, prejudicando a economia, os dois presidentes mantiveram estreita cooperação.

Para o senador colombiano Juan Mario Laserna, o país deve esperar do novo governo de seu vizinho uma continuidade no processo de normalização total das relações. "O importante é manter as relações cordiais e o comércio. Essa solidariedade democrática é necessária para dar progresso e estabilidade para a região", afirmou. Laserna lembrou da participação de Maduro como representante da Venezuela na mesa de negociações entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em Havana, como um dos exemplos de cooperação bem sucedida. / F.C., COM GUILHERME RUSSO

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