Parceria entre EUA e Índia será uma das que 'definirão o século', diz Obama

Em Nova Délhi, presidente americano se reúne com premiê indiano Manhoman Singh

BBC

08 de novembro de 2010 | 07h00

Chefes de Estado se encontram em Nova Délhi.

 

NOVA DÉLHI - O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a relação entre Washington e a Índia será "uma das parcerias que definirão o século 21".

 

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Em declarações que antecederam seu encontro com o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, em Nova Délhi, Obama disse ainda que a Índia não seria apenas um país emergente, mas, sim, uma potência mundial. Segundo Obama, "os EUA e a Índia poderiam trabalhar juntos para promover estabilidade e prosperidade na região".

Singh, por sua vez, disse que compartilhava da visão de Obama para a Ásia e que ambos os países serão parceiros em projetos no Afeganistão e na África. Ele também disse que, como nações de poderio nuclear, os dois países liderarão esforços globais pelo desarmamento.

No início do seu terceiro dia de sua visita à Índia, Obama depositou uma coroa de flores no memorial ao líder indiano Mahatma Gandhi. O líder americano chegou à capital indiana no domingo, depois de passar por Mumbai, onde anunciou acordos comerciais de US$ 10 bilhões entre os dois países.

Em Mumbai, ele também pediu que Índia e Paquistão retomem o diálogo bilateral formal, alegando que a instabilidade do país vizinho é prejudicial para os indianos.

Índia e Paquistão

Índia e Paquistão, potências nucleares adversárias desde que se tornaram independentes do Reino Unido, há mais de 60 anos, viram suas relações se deteriorarem ainda mais depois dos ataques a Mumbai, em 2008, atribuídos a extremistas paquistaneses.

Obama também admitiu que Islamabad avançou no combate a extremistas do Taleban, mas disse que esses avanços não foram suficientes. "O progresso não tem sido tão rápido quanto gostaríamos", disse o americano durante uma conversa com cerca de 300 estudantes indianos.

O apoio americano ao Paquistão é um dos temas mais sensíveis que Obama enfrenta durante sua visita à Índia, relata o correspondente da BBC em Nova Déli, Mark Dummett. Muitos indianos acreditam que não podem confiar nos EUA enquanto o país continuar a fornecer dinheiro e armamento ao Exército paquistanês.

Um estudante perguntou a Obama porque ele não declarava o Paquistão um Estado terrorista, e o líder americano respondeu que trabalhará "com o governo paquistanês para erradicar esse extremismo que consideramos um câncer interno com o potencial de engolir o país". "Minha esperança", agregou, "é que, com o tempo, a confiança se desenvolva entre (Índia e Paquistão), que o diálogo comece, talvez em temas menos polêmicos, até evoluir para os temas mais polêmicos".

Num momento em que a Índia cresce economicamente, disse Obama, o país não deve deixar que a insegurança e instabilidade na região se tornem uma distração.

Seu giro de dez dias pela Ásia tem como objetivo alavancar as exportações americanas e gerar empregos nos Estados Unidos, depois de o partido do presidente ter sofrido uma derrota significativa nas eleições legislativas do início do mês.

Sua viagem asiática incluirá a reunião, em Seul (Coreia do Sul), de líderes do G20. Também estarão presentes no encontro o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente eleita Dilma Rousseff.

 

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