Tom Brenner/Reuters
Tom Brenner/Reuters

'Parece uma boa ideia', diz Trump sobre ter seu rosto esculpido no Monte Rushmore

No monumento em Dakota do Sul estão estampadas as faces dos presidentes George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2020 | 17h02

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou uma reportagem do New York Times segundo a qual assessores da Casa Branca teriam perguntado à governadora da Dakota do Sul o processo para adicionar o rosto de outro presidente à famosa escultura de Monte Rushmore. Nela, estão estampadas as faces dos presidentes George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln

Apesar de dizer que a informação não era verdadeira, Trump afirmou  que não se importaria de ver seu próprio rosto gravado no monumento. "Isso é fake news", Trump postou no Twitter após a publicação do New York Times. "Nunca sugeri isso, embora, com base em todas as muitas coisas realizadas durante os primeiros 3, 1, 2 anos (do seu governo), talvez mais do que qualquer outra presidência, pareça uma boa ideia para mim!"

Trump tem uma longa história de dizer que sua imagem deveria ser adicionada ao Monte Rushmore, embora em público ele geralmente insista que está brincando.

Sua fixação com o local como um símbolo populista, entretanto, é inegável. Em julho, ele liderou uma celebração de gala do Dia da Independência no monumento localizado em Dakota do Sul, onde tentou capitalizar sobre as divisões sociais e políticas que irritavam a nação em meio à nova pandemia de coronavírus. Em um discurso inflamado, ele alertou sobre uma "revolução cultural de esquerda" no país.

Segundo a reportagem do Times, no sábado, um assessor da Casa Branca pediu ao gabinete da governadora de Dakota do Sul, Kristi Noem, republicana, que explicasse exatamente como seria o processo para adicionar outro rosto presidencial ao monumento de pedra. 

Segundo o jornal, a governadora teria respondido gentilmente ao assessor: "Apresentando ao presidente uma reprodução de um metro de altura do Monte Rushmore que inclua o rosto de Trump gravado na rocha ao lado de George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln". 

Embora Trump tenha negado o relato do Times, Noem disse que, no passado, Trump levantou essa questão pessoalmente com ela. Em 2018, Noem, então uma integrante do Congresso que concorria ao cargo de governadora, disse que Trump mencionou a ideia durante sua primeira reunião no Salão Oval com ele.

"Ele disse: 'Kristi, venha aqui. Aperte minha mão'", relatou Noem, de acordo com o jornal local Argus Lider. “Eu apertei sua mão e disse: 'Sr. presidente, o sr. deveria vir a Dakota do Sul qualquer dia desses. Temos o Monte Rushmore'. E ele respondeu, 'Você sabe que é meu sonho ter meu rosto no Monte Rushmore?'"

Noem caiu na gargalhada, segundo relatou ao jornal local, mas rapidamente percebeu que Trump não estava brincando. "Comecei a rir", disse ela. "Ele não estava rindo, então estava totalmente sério."

Em 2017, Trump fez comentários semelhantes em um discurso em Ohio, mas insistiu que estava brincando.

"Eu perguntaria se você acha que um dia eu estarei no Monte Rushmore, mas não - aqui está o problema. Se eu fizesse isso brincando, totalmente brincando, me divertindo, a mídia de fake news diria: 'Ele acredita que deve estar no Monte Rushmore!' Então eu não vou dizer isso, ok? Eu não vou dizer." 

Não há um processo claro sobre como seria adicionar o rosto de Trump ao monumento, embora isso deva começar provavelmente com o apoio da legislatura de Dakota do Sul e possivelmente do Congresso. Adicionar um novo rosto custaria pelo menos US$ 64 milhões apenas em mão de obra, segundo estimativas. 

Mas também há a questão de se a rocha seria estável o suficiente para adicionar outro conjunto elevado de características presidenciais. A homenagem a Jefferson teve de ser deslocada de seu local original devido a falhas no granito. 

A equipe do Monte Rushmore diz que qualquer escultura adicional é simplesmente impossível. "Não há mais espaço para esculpir na escultura", disse Maureen McGee-Ballinger, porta-voz do monumento, ao Argus Leader, há dois anos. 

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de declarações do Washington Post. / W. POST

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