KENZO TRIBOUILLARD | AFP
KENZO TRIBOUILLARD | AFP

Paredes tremiam, dizem moradores sobre operação

Palco de ofensiva antiterrorista, subúrbio de Saint-Denis viveu horas de apreensão durante confronto com suspeitos de atentados

Andrei Netto ENVIADO ESPECIAL / SEINE-SAINT-DENIS, O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2015 | 21h22

Policiais arrombando automóveis e apontando luzes para quem se posicionasse nas janelas, atiradores de elite nos telhados, muros que tremiam, janelas e portas que vibravam, sons de explosões ensurdecedores e disparos, milhares de disparos. Essas foram algumas das impressões que moradores de Seine-Saint-Denis, na periferia norte de Paris, relataram sobre as operações que sitiaram o centro da cidade.

As primeiras manobras da polícia nas imediações do edifício situado na esquina da Rue Corbillon com a Rue de la République – a principal do centro de Saint-Denis – começou por volta de 21 horas de terça-feira, segundo uma testemunha confirmou ao Estado.

Najlen Abida circulava pela região quando viu um grande efetivo policial, de 20 a 30 homens armados que pareciam se preparar para uma operação. Às 4h16, hora da ofensiva, correu para a janela e viu a gravidade da situação. Para a polícia, até pessoas comuns eram vistas como uma ameaça potencial.

“Então eu compreendi que o que estava acontecendo era problemático, que não eram apenas tiros, não era brincadeira, que havia armas de guerra por todos os lados. Foi realmente violento”, contou. “Os impactos eram fortes, com explosões. Lembro de ter pensado: ‘Não é possível que o Bataclan recomece em Saint-Denis’.”

Segundo Abida, alguns moradores saíram de suas casas para acompanhar a operação da rua, mas logo desistiram.

No mesmo horário, Vincent Kodio acordou com o ruído do ataque. “A polícia dizia que nos afastássemos das janelas e nos protegêssemos no interior do apartamento. Eu me escondi, mas ouvia os barulhos de detonação”, disse o jovem

Sempre que ia à janela, Kodio via policiais correndo pelas ruas e procurando se proteger das rajadas, e de eventuais balas perdidas. “Na maior parte do tempo fiquei longe das janelas. Não deveria ter nada a temer, mas as paredes tremiam, as janelas e portas vibravam. Isso dá um medo”, disse. “Quando ouvi as granadas e os explosivos, o que não é normal para uma prisão simples, entendi que era algo grave.”

Majid Kaaram, técnico em farmácia, foi um dos que se arriscaram a sair às ruas no momento da intervenção da polícia, e sentiu do lado de fora a violência da ação. “Desci de minha casa, no fim da Rue de la République, e quando cheguei, percebi que não havia ninguém, só algumas pessoas que corriam e gritavam.”, afirmou.

Todos os moradores contam horas e horas de tensão. Só por volta de 7h30 os tiros pararam, quando três suspeitos já haviam se rendido, outros dois estavam mortos. Ainda assim, as operações de buscas não pararam. Apartamentos e automóveis seguiram sendo arrombados.

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