Parentes de iraquianos capturados pelo EI invadem o Parlamento

Pessoas exigiam notícias dos soldados que foram levados em junho pelos combatentes perto da base de Tikrit

O Estado de S. Paulo

02 de setembro de 2014 | 11h46

BAGDÁ - Mais de 100 parentes de soldados iraquianos sequestrados por combatentes do Estado Islâmico (EI) invadiram o Parlamento em Bagdá armados com paus, barras de metal e pedras nesta terça-feira, 2, exigindo notícias dos entes queridos, disseram testemunhas.

A multidão, principalmente da maioria xiita do Iraque, quebrou alguns equipamentos, atacou pelo menos dois empregados que confundiu com parlamentares e se recusava a sair do prédio, disseram altos funcionários que estavam no local.

"Eles estavam dispostos a passar por cima de qualquer um que estivesse na frente deles. Eles diziam 'nossos filhos estão enterrados na poeira. Nem sabem o nome deles e você está sentado aqui confortavelmente com ar-condicionado'", disse um empregado do Parlamento.

"A unidade de força especial veio com cassetetes para removê-los do Parlamento. Eu posso ouvi-los gritando, berrando e dizendo os nomes."

O Estado Islâmico capturou os soldados em junho, no início de seu avanço pelo norte e centro do Iraque, onde se declarou um califado islâmico e ameaçou marchar sobre Bagdá.

Os soldados saíram de sua base em Tikrit, ao norte da capital, acreditando que uma trégua havia sido negociada. Em vez disso, o EI capturou-os e mais tarde relatou que havia matado 1.700 soldados, postando na Internet fotos de cadáveres.

Até agora não há relatos independentes sobre quantos morreram. Moradores de Tikrit disseram em junho acreditar que fossem centenas.

Pelo o que estava programado, os parentes iriam ao Parlamento participar de uma sessão para tratar do destino dos soldados, mas começaram a protestar violentamente fora do prédio e, em seguida, abriram caminho à força, passando pelos controles, de acordo com funcionários do Parlamento.

Alguns parlamentares fugiram, deixando pastas e casacos para trás, disse um funcionário. / EFE e REUTERS

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