Parentes de mineiros chilenos começam a partir

Diante dos 4 meses de espera até o resgate, psicólogos orientam famílias a retomar rotina e criam turnos de trabalho entre soterrados para reduzir tédio

, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2010 | 00h00

Esperança. Mulher de mineiro preso há 21 dias limpa acampamento; contato, só por cartas      

 

 

 

 

 

SANTIAGO

Depois de 21 dias acompanhando os trabalhos de busca dos 33 mineiros presos numa rede de túneis a 688 metros de profundidade, na cidade de Copiapó, norte do Chile, parentes e políticos começaram ontem a deixar o local, numa mostra da solidão que deve marcar a vida do grupo de sobreviventes até o Natal, quando o governo espera, finalmente, poder tirá-los debaixo da terra.

Psicólogos recomendaram aos parentes dos 33 mineiros que tentem retomar suas vidas, abandonando o acampamento Esperança, montado do lado de fora da Mina San José desde o dia 5, quando um desmoronamento deixou o grupo preso sob a terra.

O governo chileno prometeu manter comunicação permanente com as famílias por telefone e por e-mail para avisar sobre os progressos nas escavações que devem atingir o refúgio usado pelo grupo dentro de quatro meses. Com isso, filhos e netos dos mineiros poderiam voltar às aulas e os adultos, a seus trabalhos.

Além da maioria dos parentes, o ministro da Mineração, Laurence Golborne, que ficou três semanas no acampamento, também deve percorrer os 830 quilômetros de volta a Santiago. Sua maior preocupação agora será com os processos que começam a ser movidos contra o Estado por omissão na fiscalização de minas pequenas que empregam quase 10 mil operários no norte do Chile (mais informações nesta página).

Até agora, duas sondas ligam os mineiros à superfície. O fluxo de alimentos, remédios e cartas manuscritas tornou-se mais fluente. Uma terceira sonda está sendo revestida de aço inoxidável e deve garantir maior ventilação a partir de hoje ou amanhã, segundo as equipes de resgate.

Para evitar problemas psicológicos causados principalmente pelo tédio, ansiedade e ausência de luz natural, os mineiros foram instruídos a dividir-se em três grupos, alternando turnos de trabalho contínuo.

Ontem, o grupo ingeriu barras de cereais, primeiro alimento sólido enviado pelas sondas desde a tragédia.

Tevês chilenas exibiram ontem à noite imagens dos 33 mineiros, graças aos equipamentos enviados pelo governo por meio de uma sonda. Eles aparecem com barba, magros, mas com bom ânimo. Um deles exibe o refúgio, que está bem organizado. O governo estima que o resgate final dos mineiros - que serão içado à superfície um a um por uma espécie de gaiola metálica - deve durar ao todo 34 horas. Quatro socorristas descerão até onde o grupo se encontra. / REUTERS e EFE

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