Parentes entram em choque após corpos serem mostrados na TV

Muitos passaram mal no aeroporto de Surabaya quando emissoras transmitiram imagens de cadáveres boiando

AP

30 de dezembro de 2014 | 22h23

SURABAYA, INDONÉSIA - Os parentes das 162 pessoas a bordo do voo 8501 da AirAsia que aguardavam por notícias desde que o avião desapareceu no domingo entraram em desespero quando as primeiras informações sobre a descoberta de destroços e corpos foram confirmadas na manhã desta terça-feira.


Em meio ao choro que tomou conta do centro de crises do Aeroporto Juanda, na cidade de Surabaya, muitas pessoas passaram mal e desmaiaram quando imagens dos destroços e de um corpo inchado boiando apareciam nas televisões instaladas no local.


Ifan Joko, de 54 anos, disse que, apesar da trágica notícia, continuava esperando um milagre. Seu irmão, Charlie Gunawan, viajava com a mulher, três filhos e outros dois membros da família para passar o ano-novo em Cingapura.


“Sei que o avião caiu, mas não consigo acreditar que meu irmão e sua família estão mortos”, afirmou. “Ainda rezamos para que eles estejam vivos.”


Hendrik Theodoros, cujo irmão, Hendra, um empresário de 44 anos, estava no voo com a mulher e os dois filhos, disse acreditar na possibilidade de haver sobreviventes. “Nós ainda esperamos que eles voltem. Suas vidas têm de continuar”, disse Theodoros com os olhos marejados.

Cerca de 125 parentes das pessoas a bordo do voo 8501 afirmaram que devem viajar hoje para a cidade de Pangkalan Bun, para onde as partes do avião e os corpos recuperados estão sendo levados, para dar início ao processo de identificação das vítimas.


Parentes da tripulação que também aguardavam nesta terça por notícias lamentaram a localização do avião. Suwarto, de 76 anos, pai do capitão Iriyanto, que comandava o voo 8501, disse que voar era a realização de um sonho de infância de seu filho, que serviu na Forças Aérea e chegou a ser primeiro-tenente antes de entrar na aviação comercial.


“Ele era mais feliz quando pilotava aviões de combate, mas sua experiência em jatos o tornava muito capacitado para pilotar aviões comerciais”, disse, entre pausas para chorar. 


Pelo Twitter, o malaio Tony Fernandes, fundador e CEO da AirAsia, afirmou na manhã desta terça que estava a caminho de Surabaya para se encontrar com os parentes dos vítimas. “Meu coração está cheio de tristeza por todas as famílias envolvidas no QZ 8501”, escreveu. 


Mais tarde, já na cidade de onde o voo 8501 partiu, Fernandes voltou a lamentar o ocorrido em entrevista à imprensa local. “Sou o líder da empresa, não vou fugir de minhas obrigações”, afirmou. “Em nome de todos na AirAsia, meus sentimentos a todos os parentes. Palavras não podem expressar o quanto estou triste.”


A bordo do Airbus viajavam 155 indonésios, 3 sul-coreanos, 1 francês, 1 britânico, 1 malaio e 1 cingapuriano. A Indonésia coordena as operações de resgate, com a ajuda de Malásia, Cingapura, Austrália e outros cinco países.

Mais conteúdo sobre:
AirAsiaaviãoacidente

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.