AFP PHOTO / FEDERICO PARRA
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Parentes exigem entrega de corpos das vítimas de operação contra piloto rebelde na Venezuela

Mãe de um dos mortos disse que filho ‘morreu como herói’ e se envolveu no grupo de Óscar Pérez em razão da situação no país; Diosdado Cabello afirmou que o ex-agente policial planejava colocar uma bomba na embaixada de Cuba

O Estado de S.Paulo

18 Janeiro 2018 | 12h01

CARACAS - Entre denúncias de "execução extrajudicial", parentes e grupos de direitos humanos exigiam na quarta-feira 17 a entrega dos corpos do piloto Óscar Pérez - protagonista de ações contra o governo de Nicolás Maduro - e dos outros seis mortos em uma operação das forças de segurança.

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Desde cedo, o acesso ao necrotério de Belo Monte, o instituto médico legal de Caracas, foi restringido por guardas armados e com escudos.

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Aura Pérez, tia do piloto e ex-agente policial de 36 anos, entrou no local para reivindicar a posse do corpo. "Vim reconhecer o corpo de meu sobrinho e exigir que me entreguem. Enterraremos ele aqui em Caracas, onde nasceu", declarou a jornalistas.

Na terça-feira, a mulher de Pérez, Dana Vivas, exigiu no Twitter que o governo “permita identificar o corpo", e garantiu que não autorizavam sua cremação. Parentes de outros mortos também foram ao local.

"Peço encarecidamente (...) ao presidente Maduro, com toda minha dor e de minha família, que por favor, pelo nosso direito, que se respeite nossa dor. Deixem de obstruir e nos entreguem o corpo de meu filho", pediu Zeila Agostini, mãe de Abraham Agostini.

Rodeada por uma comissão de parlamentares opositores que investiga os fatos, ela afirmou que seu filho "morreu como um herói" e se envolveu no grupo de Pérez - chamado pelo governo de "terrorista "- em razão da grave situação do país.

A operação foi realizada nos arredores de Caracas, sete meses depois de Pérez ter atacado de um helicóptero edifícios governamentais, em meio a uma onda de protestos contra Maduro que deixou mais de 120 mortos entre abril e julho de 2017.

Na quarta-feira, o chavista Diosdado Cabello afirmou que Pérez planejava colocar "uma bomba na embaixada de Cuba".

Caso

Parentes, parlamentares e ativistas de direitos humanos lamentaram que o hermetismo tenha marcado o caso. "A resposta que recebemos foi que não vão entregar os corpos porque estão à disposição de um tribunal militar", disse a jornalistas o deputado opositor Winston Flores.

Ele acrescentou que as autoridades "não quiseram entregar o relatório da autópsia". "Houve um justiçamento extrajudicial e queremos comprová-lo", assegurou.

Em vídeos divulgados no Instagram durante a operação, Pérez, usuário frequente das redes sociais, afirmou que as autoridades estavam disparando contra ele, apesar de, junto a seus homens, ter manifestado que queria se entregar.

A deputada opositora Manuela Bolívar fala sobre "uma série de irregularidades" e ressalta que o "silêncio" responde a "um homicídio a pessoas que estavam pedindo para se entregar". “As forças de segurança continuaram até que ele morresse.”

O ministro de Interior, general Néstor Reverol, afirmou que enquanto se negociava a entrega, o "grupo terrorista" atacou as forças de segurança, matando dois policiais e ferindo outros oito. Depois disso é que teria havido um "confronto armado". Mas os críticos do governo não dão crédito ao relatório oficial.

Bomba

Maduro denunciou na segunda-feira que Pérez e seu grupo organizavam um ataque contra a "embaixada de um país querido", sem dizer qual. "O presidente não disse, mas eu vou dizer. Iam colocar uma bomba na embaixada de Cuba", afirmou Cabello, número dois do governo chavista, em seu programa semanal na rede de televisão estatal VTV.

A ex-procuradora-geral Luisa Ortega Díaz, chavista que rompeu com Maduro e fugiu para a Colômbia após ser destituída em 2017, qualificou o ato de "execução extrajudicial".

"O procedimento é um reflexo da situação do estado de direito na Venezuela e o nível de desinformação e opacidade com que lida o governo", disse Rocío San Miguel, especialista em temas militares.

Em um comunicado, a ONG Foro Penal Venezuelano afirmou que é dever do Estado "garantir a vida, inclusive daqueles que tenham sido apontados como autores ou participantes de fatos puníveis". / AFP

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