AFP PHOTO / Belga
AFP PHOTO / Belga

Famílias procuram informações sobre parentes desaparecidos nos atentados

Muitos parentes percorrem diversos hospitais na esperança de encontrar alguma notícia sobre as pessoas que estão desaparecidas desde terça-feira

O Estado de S. Paulo

24 de março de 2016 | 15h17

BRUXELAS - O lento e longo processo de identificação das vítimas dos atentados de Bruxelas na terça-feira deixa em vigília muitas famílias que, dois dias depois, continuam percorrendo hospitais e procurando desesperadamente informação sobre seus parentes.

"Quando ligo para os hospitais me dizem que não têm pacientes não identificados, mas a polícia me diz que há pacientes ainda não identificados em hospitais de todo o país", explicou Charlotte Sutcliffe, mulher do britânico David Dixon, um cientista da computação que há 10 anos vive em Bruxelas, ao jornal britânico The Times.

Sua família não tem notícias desde que ele enviou uma mensagem dizendo estava bem após a explosão de duas bombas no aeroporto. Suspeita-se que logo em seguida ele tenha entrado no metrô, onde a terceira bomba explodiu. 

Sutcliffe disse que havia uma longa fila para dar à polícia todos os dados dos desaparecidos, desde o histórico médico e odontológico até as roupas que usavam.

Outro exemplo é o casal americano Justin e Stephanie Shults, dos quais não se tem informações desde que deixaram a mãe dela no aeroporto de Bruxelas. Ambas as famílias receberam um aviso do Departamento de Estado dos EUA assegurando-lhes que o casal havia sido encontrado. No entanto, a alegria se transformou em decepção pois a informação estava "errada", escreveu em uma rede social o irmão de Justin, Levi Sutton.

Também não há notícias sobre os irmãos americanos Sascha e Alexander Pinczowski, que estavam no aeroporto falando ao telefone com um membro da família quando a explosão foi ouvida. Desde então, eles permanecem desaparecidos.

O número de vítimas dos ataques ao aeroporto e ao metro de Bruxelas é de pelo menos 31 mortos, o qual ainda pode aumentar, e mais de 250 feridos.

Flores são vistas na entrada da estação de metrô de Maelbeek. Há pessoas de mais de 40 nacionalidades no local, prova do cosmopolitismo de Bruxelas e uma dificuldade a mais para os trabalhos de identificação das vítimas, além de ser uma razão adicional de angústia para suas famílias, que estão a milhares de quilômetros de distância.

Foi criada uma página no Facebook para que parentes e amigos possam deixar mensagens sobre os desaparecidos. “Alguém viu essa garota? Seu nome é Aline Bastin, belga de 29 anos. Provavelmente estava no metrô", diz uma das mensagens. "Estamos procurando por ela desesperadamente. Se tiver notícias, por favor nos informe!".

Até agora, somente três mortos foram identificados: a peruana Adelma Tapia, de 37 anos, que estava no aeroporto com suas duas filhas gêmeas e seu marido belga, esperando um avião para viajar para Nova York; e os belgas: Leopold Hecht, um estudante de direito da Universidade Saint-Louis de Bruxelas, e Olivier Delespesse, funcionário público da Federação Valônia-Bruxelas.

Também se tem notícia de uma mulher marroquina morta e "muito provavelmente" de uma italiana, segundo o governo de seu país. Entre os feridos há alemães, espanhóis, portugueses, franceses e britânicos, entre outras nacionalidades.

Assim como a do britânico Dixon, há muitas histórias de vítimas que podem ter entrado no metrô após avisarem suas famílias de que haviam sobrevivido aos atentados no aeroporto.

Auxílio. O primeiro-ministro belga, Charles Michel, garantiu nesta quinta-feira, 24, que o governo da Bélgica "fará todo o possível para esclarecer" os atentados terroristas em Bruxelas e punir os responsáveis para poder dar respostas às famílias.

O político disse que dará total enfoque ao ataque, em discurso feito antes do minuto de silêncio nacional convocado pelo governo, a Câmara Baixa e o Senado em homenagem às vítimas. Participaram da cerimônia os reis da Bélgica, Philippe e Mathilde, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, entre outras personalidades.

"Não cederemos à barbárie", declarou o primeiro-ministro, que também esteve acompanhado pelos presidentes da Câmara Baixa, Siegfried Bracke, e do Senado, Christine Defraigne. Os três colocaram coroas de flores para homenagear às vítimas dos ataques.

Defraigne expressou sua "compaixão e empatia" com os afetados. "Nossa democracia vai ganhar se for sólida, forte, e assim será se estivermos decididos a aplicá-la", afirmou. A presidente do Senado também se referiu aos ataques em Paris de novembro de 2015: "Quem poderia imaginar que quatro meses depois a barbárie bateria em nossa porta?, lamentou. /AFP e EFE

Tudo o que sabemos sobre:
Bélgicaatentados terroristasvítimas

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.