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Parentes sofrem ao descobrir lista de sobreviventes

Com divulgação dos nomes dos feridos, famílias de vítimas do ataque entram em choque ao perceber que seus filhos morreram

O Estado de S. Paulo

13 Junho 2016 | 20h51

ORLANDO, EUA  - A leitura dos nomes dos feridos no ataque à boate Pulse, em Orlando, no domingo, foi marcada nesta segunda-feira, 13, pela dramaticidade. “Foi o pior momento das últimas 24 horas”, disse o religioso argentino Pablo Gaitán, que acompanhou as famílias das vítimas enquanto esperavam notícias sobre os sobreviventes.

Para o portorriquenho Ángel Garmendiz, que perdeu 12 amigos no ataque, o momento da leitura da lista de feridas foi muito difícil porque não estar nessa lista eliminava todo tipo de esperança.

Cerca de 150 pessoas esperavam por notícias em um hotel de Orlando quando foram avisados pelas autoridades que haveria a divulgação da lista de feridos. Quando um policial leu a lista com os nomes de 53 sobreviventes, os que não tinham parentes na lista imediatamente se deram conta de que eles não haviam sobrevivido. 

O que se viu em seguida foi o desespero instantâneo de dezenas de pessoas inconsoláveis com a tragédia. Algumas pessoas caíram em prantos ao chão, outras entraram em estado de choque. 

“Foi um momento incrível”, disse Garmendiz, emocionado. Ele acompanhou a leitura do nome dos feridos ao lado dos pais de um amigo. 

No local onde os familiares esperavam por notícias havia psicólogos e médicos e uma pequena infraestrutura montada para trâmites burocráticos. 

Gaitán, o religioso argentino, acostumado a confortar perdas de fiéis, foi incapaz de descrever a cena triste da divulgação dos nomes dos feridos. 

“A única coisa que consegui fazer foi abraçar a avó de uma das vítimas”, contou. 

Outro religioso presente no centro de acolhida, Ángel Marcial, disse que o ambiente é muito triste e é muito difícil dizer algo para as famílias das vítimas. “Estamos aqui, como diz a bíblia, chorando com os que choram e sofrendo com os que sofrem”, disse ele. 

Para Garmendariz, a comunidade gay latina de Orlando é muito unida e vai se tornar tão pequena que se tornará uma família. 

“A comunidade latina ainda está em estado de choque”, disse ele. “Ainda não superamos e não vamos superar. Sequer consigo dizer os nomes dos meus amigos em voz alta.”

Choque. A morte dos 12 jovens amigos de Garmendiz chocou a ilha de Porto Rico, território americano no Caribe. O governador Alejandro Garcia Padilla emitiu uma mensagem de solidariedade na qual pediu orações pelas famílias das vítimas.

"Meus amigos eram muito alegres. É assim que lembraremos deles”, disse Garmendiz. “Continuaremos a vida como eles gostariam que fizéssemos.” Até agora, duas vítimas da ilha foram identificadas: Luis Omar Ocasio Capo, de 20 anos, e Eric Ivan Ortiz Rivera, de 36. / EFE

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