Paris admite que ação vai além de resolução

O ministro da Defesa da França, Gérard Longuet, admitiu ontem que, ao exigir a saída de Muamar Kadafi do poder, a coalizão está indo além dos limites estabelecidos pela resolução do Conselho de Segurança da ONU para a invasão na Líbia. "A Resolução 1.973 não menciona o futuro de Kadafi", afirmou. Horas antes, os presidentes dos EUA, Barack Obama, e da França, Nicolas Sarkozy, e o premiê britânico, David Cameron, sentenciaram em artigo: "Kadafi deve sair", publicado nos jornais The Times, de Londres, e Le Figaro, de Paris.

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2011 | 00h00

O ministro insinuou ainda que o Conselho de Segurança pode ser acionado pela coalizão. "Três grandes países que dizem a mesma coisa deve ser algo importante para a ONU. Talvez o Conselho de Segurança adote uma resolução", disse. No entanto, participam do conselho como membros permanentes a China e a Rússia, dois países que reprovam as operações na Líbia - ao lado de Brasil e Índia.

Segundo Longuet, a França é contra o armamento dos civis, preferindo a intensificação dos bombardeios. "Nosso objetivo não é organizar uma frente, armando os insurgentes", afirmou. Até aqui, nenhum país confirmou publicamente que esteja fornecendo armas aos rebeldes.

Os EUA rejeitaram as pressões para retornar ao primeiro plano na coalizão militar contra Kadafi. O pedido havia sido feito pela França e pela Grã-Bretanha durante a reunião de chanceleres da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), encerrada ontem, em Berlim.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores francês, Alain Juppé, Washington vai fornecer aviões bombardeiros A-10 e AC-130 - mais precisos para operações contra tanques e baterias de artilharia - apenas eventualmente.

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