Arnaud Journois/AFP
Arnaud Journois/AFP

Paris colocará blindados na rua para conter protestos

Em todo o país foram tomadas medidas excepcionais para evitar que as cenas de violência da semana passada se repitam

O Estado de S.Paulo

07 Dezembro 2018 | 19h15

PARIS -  Pela primeira vez em mais de uma década, Paris colocará veículos blindados da Gendarmeria nas ruas à espera do grande protesto do movimento dos “coletes amarelos” previsto para este sábado, 7. Em alerta vermelho, a França começou a se entrincheirar hoje ante o temor de que degenerem em confrontos violentos, um cenário que o governo espera evitar com quase 90 mil policiais nas ruas.

Museus fechados, shows cancelados, jogos de futebol adiados. Em todo o país foram tomadas medidas excepcionais para evitar que as cenas de violência da semana passada se repitam. Comerciantes, temerosos pelos destroços e roubos, se protegiam hoje.  A unidade de elite da Gendarmeria, GIGN, também está em alerta.

“Tudo indica que elementos radicais, de facções, voltarão a tentar se mobilizar”, afirmou o ministro do Interior, Christophe Castaner, justificando um dispositivo de segurança em grande escala. “Nessas últimas três semanas nasceu um monstro que fugiu das mãos dos seus progenitores”, disse em referência ao movimento dos “coletes amarelos”.

A mobilização começou no dia 17 em oposição ao aumento dos impostos sobre os combustíveis, mas, desde então, se tornou um amplo movimento contra a política econômica e social do presidente Emmanuel Macron. O governo, encurralado pelas ruas, suspendeu o imposto sobre combustíveis e congelou os preços da eletricidade e do gás durante o inverno.

No entanto, para os “coletes amarelos”, que ampliaram suas reivindicações, essas concessões foram insuficientes. Eles contam também com o apoio da maioria dos franceses (68%, segundo a última pesquisa). 

As autoridades apreenderam ontem  30 coquetéis molotov e bombas caseiras em uma rotatória ocupada pelos “coletes amarelos” em Montauban, no sudoeste do país.

Silêncio

Contudo, Macron, com um índice de popularidade baixo, se mantinha em silêncio. “Não quer colocar lenha na fogueira” antes das manifestações de hoje, declarou o  presidente da Assembleia Nacional, Richard Ferrand. Macron deve falar no início da semana que vem.

Seu primeiro-ministro, Edouard Philippe, receberia ontem à noite uma delegação dos  “coletes amarelos livres”, uma ala moderada desse movimento desestruturado e sem líder. 

A Torre Eiffel e dezenas de lojas da Avenida Champs-Élysées, assim como as lojas de departamento Lafayette e Printemps, fecharão por precaução hoje, assim como os principais museus da capital, incluindo o Louvre. 

Os comerciantes colocaram tábuas de madeira nas portas e esvaziaram as vitrines. “Não podemos correr o risco de nos roubarem”, comentava o responsável de uma loja de motos próxima do Arco do Triunfo, enquanto colocava os veículos  em caminhões./ AFP

 

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