Guglielmo Mangiapane / Reuters
Guglielmo Mangiapane / Reuters

Paris condecorará capitãs de navio com imigrantes por respeito aos direitos humanos

Ativistas alemãs Carola Rackete e Pia Klemp receberão a mais importante condecoração da cidade; elas atracaram embarcação com 40 imigrantes na Itália contra a vontade do premiê do país

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2019 | 22h17

PARIS - As ativistas alemãs Carola Rackete e Pia Klemp, capitãs do navio de resgate Sea Watch 3, serão condecoradas em Paris com a medalha Grand Vermeil, a mais importante condecoração da cidade, como sinal do compromisso da capital francesa com o respeito aos direitos humanos, anunciou nesta sexta-feira, 12, a Câmara Municipal parisiense.

"Com o objetivo de mostrar a solidariedade e o compromisso de Paris com o respeito aos direitos humanos, a Câmara Municipal concederá a Grand Vermeil às duas capitãs do navio Sea Watch 3", disse o órgão legislativo em comunicado.

Além disso, a Câmara informou que dará um prêmio de 100 mil euros em conceito de ajuda urgente à associação SOS Mediterrâneo para uma nova missão de salvamento de migrantes em alto-mar.

"Associações como SOS Mediterrâneo e Sea Watch nos honram e nos obrigam a fazer algo diante da inércia dos governos europeus. Carola Rackete e Pia Klemp são os emblemas deste combate, estandartes dos valores europeus aos quais a cidade de Paris pede mais uma vez ao nosso continente que se mantenha fiel", afirmou.

Carola Rackete, de 31 anos, apresentou nesta sexta uma denúncia contra o ministro italiano do Interior, Matteo Salvini, que foi acusado de difamação e de pôr em risco sua segurança por criminalizá-la.

A ativista foi detida no final de junho por levar uma embarcação ao porto de italiano de Lampedusa, ao não poder desembarcar 40 imigrantes resgatados 17 dias antes no Mediterrâneo.

Uma juíza de Agrigento (Sicília) ordenou a libertação de Rackete por considerar que era sua obrigação humanitária resgatar os imigrantes, mas a capitã ainda deve comparecer para enfrentar a acusação de favorecer a imigração ilegal.

Klemp, bióloga marinha de 36 anos, está desde 2017 - quando estava no poder na Itália o progressista Partido Democrata (PD) - sob investigação pela acusação de favorecer a imigração ilegal. / EFE

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