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Peter Dejong | AP
Peter Dejong | AP

População desacata ordem de evitar concentrações públicas e presta homenagem às vítimas, mas incidente causa pânico e correria

Andrei Netto / Correspondente Paris, O Estado de S.Paulo

15 de novembro de 2015 | 21h27

Ainda sob o impacto dos atentados de sexta-feira, e ignorando os pedidos das autoridades para que evitassem concentrações públicas, franceses e estrangeiros foram ontem às ruas de Paris para prestar homenagem às vítimas ou retomar as vidas, abaladas pela tragédia. Dezenas de pontos de homenagem, com flores e velas, foram criados na capital às 129 vítimas e aos 99 feridos graves. Mas, em prova da tensão que paira na França, um alarme falso provocou pânico à noite. 

O domingo transcorreu ao inverso do que havia se verificado na manhã de sábado, quando poucos bairros da capital registraram movimento mais intenso. Desde cedo, lojas foram abertas e as ruas foram sendo tomadas, apesar de museus, centros culturais e casas de espetáculos estarem fechados.

Enquanto milhares de pessoas se alternavam em pontos como a Praça da República, no centro de Paris, e locais dos atentados distribuídos pelo 10.º e pelo 11.º distritos da capital, outros buscavam hospitais para visitar sobreviventes ou para auxiliar a identificar os corpos de “20 a 30 pessoas” cujos nomes ainda são desconhecidos.

Entre os que visitaram amigos feridos estavam os arquitetos brasileiros João Lira, professor da FAU da USP, e os mestrandos Diego Mauro Ribeiro e Guilherme Pianca Moreno, que sobreviveram ao atentado contra o restaurante Le Petit Cambodge – local onde 15 pessoas morreram. Eles usaram a tarde de domingo para visitar o brasileiro Gabriel Sepe, de 29 anos, ferido com três tiros nas costas. No mesmo restaurante estavam oito brasileiros e todos sobreviveram.

“No Brasil, as pessoas acham que as bombas estão estourando a cada esquina. Sem dúvida, desde o início do ano a insegurança aumentou muito, como a presença da polícia e dos militares, mas a vida segue e a cidade está se recompondo”, disse João Lira, falando em frente ao Hospital Bichat, no norte da capital. “As pessoas estão mais silenciosas, mas ninguém está deixando de fazer nada em razão desses atentados. Eu não deixarei de frequentar o Petit Cambodge, de voltar àquele bairro ou à França.” 

Com o final da tarde, as homenagens cresceram de amplitude, mesmo com a decretação de estado de emergência e a proibição de concentrações públicas até quinta-feira, por razões de segurança. 

Às 18h45, horário local, um incidente provocou pânico e causou tumulto em vários pontos do centro da capital. Isso ocorreu quando o estouro de uma lâmpada pública levou um policial a sacar sua arma, provocando gritos e uma correria na Praça da República.

Naquele momento, a rede de TV BFM transmitia ao vivo do local e sua repórter e o cinegrafista tiveram de correr. A informação do tumulto se espalhou e o desespero tomou conta de outros pontos da cidade, como a concentração da Rue Alibert, de Les Halles e o bairro de Marais – evidenciando o nível de tensão e de terror da população de Paris nas últimas horas.

Missa. Horas depois, uma primeira grande homenagem às vítimas ocorreu na Catedral de Notre-Dame, onde uma missa extraordinária reuniu autoridades, parentes de vítimas e alguns sobreviventes. “Não é decapitando que se mostra a grandeza de Deus”, afirmou em sua pregação o arcebispo de Paris, André XXIII, a um público de 1.500 pessoas, grande parte do lado de fora da catedral.

Depois de um primeiro momento em que as autoridades pediram o recolhimento à população, ontem o presidente da França, François Hollande, pediu união aos franceses. 

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