Paris estuda retirada imediata do Afeganistão

Sarkozy ordena suspensão das operações no país em reação à morte de 4 militares franceses

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2012 | 03h01

O governo da França ordenou ontem a paralisação das operações de seu Exército no Afeganistão e estuda a retirada precoce de suas tropas depois que quatro de seus soldados foram mortos ontem, em um atentado na Base de Gwan, situada no Vale de Tagab, no leste do país.

O ataque foi cometido por um terrorista infiltrado no Exército afegão, que vem sendo treinado por tropas francesas. A decisão de interromper as atividades foi anunciada pelo presidente Nicolas Sarkozy - em busca da reeleição em abril - durante uma reunião com embaixadores estrangeiros, no Palácio do Eliseu.

O atentado é o segundo do gênero cometido contra tropas da França no intervalo de um mês, um indício de que o novo Exército do Afeganistão pode estar minado pelas infiltrações. O ataque ocorreu durante uma sessão de condicionamento físico.

Segundo o Ministério da Defesa, um soldado afegão, armado de uma metralhadora, abriu fogo contra um grupo que corria na base. Três soldados do 93.º Regimento de Artilharia de Montanha e um do 2.º Regimento Estrangeiro morreram no local. Oito militares estão feridos em estado grave, além de sete fora de perigo.

Em um comunicado, o porta-voz do Taleban, Zabihullah Mujahid, elogiou o "soldado afegão patriota", mas não reivindicou a autoria do atentado alegando que ainda não era possível confirmar se o terrorista é ou não militante do grupo. Em dezembro, Mujahid havia afirmado que milicianos taleban estão infiltrados no Exército Nacional Afegão com o objetivo de cometer atentados.

As vítimas elevam para 82 o número de soldados franceses mortos no Afeganistão desde que tropas da França uniram-se à Força Internacional no início dos combates, em 2001. O contingente francês é o quarto maior no Afeganistão, hoje com 3,6 mil homens - de um universo de 130 mil enviados por EUA, Grã-Bretanha, Espanha e Alemanha, entre outros países. Desde outubro, quando começou a retirada, 400 soldados franceses já haviam retornado.

Ao receber a notícia, Sarkozy adotou um tom duro, ordenou que o ministro da Defesa, Gérard Longuet, e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Edouard Guillaud, fossem ao Afeganistão e orientou-os a estudar a antecipação da retirada. "Somos amigos e aliados do povo afegão, mas não posso aceitar que soldados afegãos atirem em soldados franceses", afirmou, anunciando que todas as operações de formação e de ajuda ao combate haviam sido suspensas. Sarkozy disse ainda que discutirá o tema com o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, em sua visita a Paris, na sexta-feira. "Se as condições de segurança não forem claramente estabelecidas, então será apresentada a questão de um retorno antecipado do Exército francês."

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