Paris investigará denúncia sexual contra Strauss-Kahn

Procuradoria abre inquérito preliminar para apurar se ex-diretor do FMI tentou atacar jornalista em 2003

AP, Reuters e Efe, O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2011 | 00h00

A Procuradoria de Paris abriu ontem uma investigação preliminar sobre a denúncia de crimes sexuais feita pela jornalista francesa Tristane Banon contra o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn. O economista responde a um processo similar em Nova York, onde é suspeito de ter atacado sexualmente uma camareira de hotel - apesar de a credibilidade da denunciante ter sido posta em dúvida pela Justiça dos EUA.

A jornalista francesa apresentou a denúncia no começo da semana. Segundo ela, durante uma entrevista feita em 2003, Strauss-Kahn agarrou-a e tentou tirar suas roupas. Ela disse que travou uma luta corporal no chão para escapar do economista. Na época, Tristane não registrou queixa, mas diz ter mensagens de texto que comprovariam o ataque.

O advogado da jornalista, David Koubbi, comemorou a abertura do processo e pediu que ele seja levado a júri popular. "Se esse caso não for a julgamento por questões políticas, será um escândalo", disse.

O representante legal de Strauss-Kahn na França, Henri Leclerc, contesta as acusações e diz que não há evidências físicas da agressão. Segundo ele, as denúncias são imaginárias e seu cliente considera processar a jornalista por calúnia.

A investigação preliminar pode durar até alguns meses. Só então a procuradoria decidirá se abandona o caso ou se o levará adiante, o que pode culminar em um julgamento. Nessa etapa inicial, será definido em qual crime Strauss-Kahn pode ser enquadrado: se ataque sexual ou tentativa de estupro. A primeira denúncia prescreve após três anos, e a segunda, após dez.

Processo nos EUA. Strauss-Kahn deve ser interrogado em um procedimento de rotina na França, mas ainda não pode deixar os EUA por causa da acusação de crime sexual que pesa contra ele.

O ex-diretor-gerente do FMI deixou a prisão domiciliar nesta semana após sua acusadora, a camareira Nafissatou Diallo, ter a credibilidade questionada pela Justiça. A procuradoria descobriu que ela mudou a versão de seu depoimento e mentiu sobre seu visto de imigração e outros detalhes de sua vida pessoal. Os investigadores devem seguir no caso por ao menos mais duas semanas para depois decidir se ele será abandonado.

Ainda ontem, o jornal The New York Times publicou uma reportagem na qual afirma que um dia antes do suposto ataque, Strauss-Kahn subiu para sua suíte com uma mulher que não estava hospedada no hotel.

Ele era o político mais cotado para desafiar o presidente Nicolas Sarkozy nas eleições presidenciais de 2012. Mas sua prisão em Nova York no mês passado prejudicou seu projeto político. Strauss-Kahn não deve apresentar sua candidatura. As prévias do Partido Socialista ocorrem no dia 13 e a decisão sobre a acusação em Nova York sairá dia 18.

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