Paris organiza força capaz de liderar ataques

Entre os aviões usados contra a Líbia está o jato Rafale, que pode ser vendido para o Brasil

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2011 | 00h00

A força expedicionária montada pela França pretende liderar - e não servir de coadjuvante - o processo de imposição da zona de exclusão aérea na Líbia. A grande máquina militar é o argumento mais forte do presidente Nicolas Sarkozy.

Só a Força Aérea mobilizou oito supersônicos Rafale, quatro Mirages 2000.5 e dois grandes jatos especializados, um para o reabastecimento em voo e outro de vigilância avançada, o Awacs.

Está no mar, e se aproxima da área, o porta-aviões R91 Charles de Gaulle, de propulsão nuclear. É um gigante de 42,2 mil toneladas, com 261 metros de comprimento e 64,36m de largura. A ala aérea é estimada em 15 caças - Rafale e Super Etendard -, helicópteros e um avião de inteligência e controle Hawkeye.

Viajando a 50 km/hora, o R91 deveria chegar ontem à noite na região. Ele leva 1,9 mil tripulantes, técnicos, pilotos e suprimentos para 45 dias. A escolta não é pequena. Duas fragatas de defesa antiaérea, um cargueiro, um submarino atômico e um destróier antissubmarino. Os depósitos estão abarrotados de bombas guiadas e mísseis de tecnologia avançada.

Para alguns desses sistemas é o batismo de fogo, caso das novas bombas inteligentes AASM, da Sagém Defénse. Algumas pesam até mil quilos. Combinam, na plataforma de navegação, sensores inerciais, radar e GPS. Disparadas a grande altitude, podem atingir alvos à distância de 50 km com erro de 10 metros.

Quase tudo está a venda. Caças Rafale disputam contrato no Brasil, nos Emirados Árabes e, sem que tenham sido identificados, em dois países da Ásia. O comprador dos aviões encomendará também o armamento, coisas como as AASM, ou os mísseis Apache, de cruzeiro, disparados no primeiro minuto do primeiro ataque.

Os EUA estão na operação com seus bombardeiros invisíveis B-2 Spirit e sete outros tipos de aeronaves. Na retaguarda, duas frotas navais no Mediterrâneo e no litoral do Bahrein. As outras sete nações envolvidas mobilizarão cerca de 50 aviões , fragatas e dois submarinos.

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