Paris paga fiança ao Irã por estudante

Universitária presa ao participar de protesto é liberada até veredicto

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

13 de agosto de 2009 | 00h00

A estudante universitária francesa Clotilde Reiss, presa no Irã sob acusação de espionagem, deve receber liberdade provisória nas próximas horas. Um acordo diplomático entre os dois países - que envolve o pagamento de uma fiança estimada em ? 400 mil - deve permitir que a jovem de 24 anos receba refúgio na embaixada francesa enquanto espera o veredicto.As tratativas entre os governos francês e iraniano se intensificaram desde sábado, quando Clotilde prestou testemunho no tribunal, atraindo a atenção das câmeras de TV do país para o julgamento, que envolve ainda outros 100 dissidentes iranianos. Seu depoimento comoveu a França porque teria sido coagido, segundo denunciam líderes da oposição no Irã. De acordo com o procurador de Teerã, Said Mortazavi, o processo contra a universitária "está encerrado", mas ela permanece na prisão até ordem da Justiça. "Qualquer decisão para que ela seja libertada sob caução ou que permaneça presa pertence ao juiz do caso", afirmou Mortazavi, segundo a agência Fars. "Clotilde Reiss ainda não foi liberada. Caso uma fiança seja aceita e sua libertação aconteça, essa francesa não terá o direito de deixar o país até que o veredicto seja pronunciado e seja punida por seus crimes."Para obter a libertação, segundo a agência iraniana Irna, a embaixada francesa teria aceitado pagar a fiança. "A Embaixada da França em Teerã transmitiu uma carta oficial ao Ministério das Relações Exteriores iraniano aceitando fornecer a caução e garantias escritas", afirmou uma fonte governamental não revelada pela agência.Em Paris, Luc Chatel, porta-voz do governo de Nicolas Sarkozy, confirmou que o pagamento de uma fiança, da qual não precisa o valor, deve ser necessário. "Nosso objetivo é obter sua liberdade definitiva, para que ela possa reencontrar sua família", reiterou.Além de Clotilde, um iraniano funcionário da embaixada da França e outro da Grã-Bretanha participam do julgamento. Três americanos presos são réus de outro processo.

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