Dominique Faget/AFP
Dominique Faget/AFP

Paris vive clima de tensão em metrô e escolas após ataque

Capital francesa reforça segurança e orienta alunos a irem para casa; sírio suspeito de terrorismo foi preso durante viagem de trem

O Estado de S. Paulo

09 de janeiro de 2015 | 13h33

A França vive um ambiente de extrema tensão nesta sexta-feira. Depois do atentado na última quarta-feira ao jornal Charlie Hebdo, o dia começou com tiros em um supermercado da capital francesa e uma sequência de medidas para evitar novos riscos. O ministro do Interior do país, Bernard Cazeneuve, disse em entrevista coletiva que a segurança policial está reforçada em Paris em diversos pontos da cidade, em especial a escola religiosas estações de metrô, embaixadas e pontos turísticos.

ESCOLAS

As escolas próximas do supermercado judeu atacado nesta sexta-feira tiveram de suspender as aulas. Os alunos estão sendo orientados pelos professores a permanecer longe de portas e janela, que tiveram de ser reforçadas. Pouco depois do meio-dia, no horário local, os alunos passaram a ser colocados em ônibus para deixar a área e serem levados a outros locais, de onde devem ser buscados pelos pais.

A região de Dammartin-en-Goële, localizada ao Nordeste da capital, é vigiada por helicópteros e os moradores foram orientados, inclusive, a não sairem de suas casas. "Nós temos sinais da presença de terroristas, os quais teremos de parar", disse o ministro do Interior, Bernard Cazeneuve.


TREM

Um trem que viajava de Paris para Lyon, oeste do país, precisou ser esvaziado às pressas nesta sexta-feira depois que um passageiro sírio, que viajava sem passagem, se proclamou terrorista. A polícia evacuou o trem e deu o sírio, que tem cerca de 30 anos, vestia um casaco negro e viajava na parte traseira do último vagão da composição. Depois da prisão do sírio, a polícia revistou todo o trem e as bagagens dos suspeitos, que embarcaram em outro vepiculo para continuar a viagem. 

Segundo um comunicado da prefeitura do de departamento de Saône-et-Loire, o passageiro pretendia cometer ações que ameaçavam a segurança das pessoas. Durante o cerco, um passageiro britânio contou que o sírio foi imobilizado. As autoridades francesas estão em alerta com a segurança depois do atentado em Paris na última quarta-feira, quando 12 pessoas foram assassinadas dentro da redação do jornal satírico Charlie Hebdo.

CERCO AO MERCADO

Diversas ambulâncias chegaram por volta do meio-dia, no horário de Brasília, à região do supermercado invadido por um homem armado em Porte de Vincennes, na zona leste de Paris, nesta sexta-feira. Além de quase uma dezena de veículos parados na área cercada pela polícia, outros veículos chegam a todo momento. Nos últimos cinco minutos, a reportagem viu oito ambulâncias chegando ao local pela avenida Cours de Vincennes.

A polícia fez cerco com mais de 30 veículos e pelo menos 20 motos em um trecho de menos de 500 metros. Policiais cercavam a área com metralhadoras. No bloqueio feito a cerca de 350 metros do local, o clima era de apreensão e dezenas de curiosos olhavam em direção ao supermercado "Hyper Cacher", onde ocorreu o atentado. Cinco explosões foram ouvidas e os policiais entraram no supermercado. Novas explosões e troca de tiros foram ouvidos.

O que se sabe até o momento é que os dois suspeitos do ataque ao jornal de humor francês Charlie Hebdo, e responsáveis também por fazer reféns em Dammartin, Chérif e Saíd Kouachi, foram mortos. O sequestrador do Porto de Vincennes, identificado como Amedy Coulibaly, também foi morto. Alguns reféns foram removidos do Porto de Vincennes e ao menos um policial ficou ferido.

A ação policial ocorreu por volta de 14h30 no horário de Brasília.

METRÔ

O acesso à região turística do Trocadero, às margens do Rio Sena, ficou comprometida depois que uma das linhas de metrô que leva até o local teve o funcionamento interrompido por alguns instantes após um alerta de segurança. A estação teve de ser esvaziada.

LOJAS

No bairro de Marais, região central da cidade, todas as lojas judaicas foram orientadas a fechar as portas pela polícia para evitar riscos de novos ataques.


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