Parlamentar alemão punido por declaração sobre judeus

A União Democrata Cristã (CDU, iniciais em alemão) expulsou de sua bancada nesta sexta-feira um parlamentar que comparou os judeus com os nazistas, aplicando assim uma rara penalidade com o objetivo de encerrar um escândalo sobre o suposto anti-semitismo. Os parlamentares da CDU aprovaram por 195 a 28 a expulsão de Martin Hohmann de suas fileiras, superando com folga a necessidade de maioria de dois terços, mas deixando alguns líderes partidários impressionados com o tamanho da oposição. Dezesseis membros se abstiveram e quatro invalidaram seus votos. "O resultado é decisivo, apesar de mostrar que alguns colegas apresentaram resistência de caráter pessoal", declarou Angela Merkel, presidente da CDU. "Mas acredito que, politicamente, foi a coisa a certa a se fazer e não havia alternativa", comentou ela. A decisão reflete a grande sensibilidade entre os alemães mesmo seis décadas depois do Holocausto. Com a decisão do partido, Hohmann não pode mais votar pela CDU no Parlamento, apesar de ele não perder seu mandato como deputado nem ter sido expulso do partido. Hohmann foi acusado de anti-semitismo por um discurso pronunciado em 3 de outubro para marcar o Dia da Unidade Alemã. Na ocasião, ele comparou os judeus com os nazistas, destacando o papel de destaque da comunidade judaica na Revolução Bolchevique de 1917 na Rússia. A polêmica sobre a declaração aumentou quando o general de brigada Reinhard Guenzel foi demitido na semana passada por ter escrito uma carta a Hohmann elogiando sua "coragem" pelo discurso. Hohmann, de 55 anos, desculpou-se publicamente, mas recusou-se a retirar o que disse. Depois de algumas semanas de discussões, a CDU resolveu expulsá-lo da bancada para evitar danos à imagem do partido.

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