Parlamentar sírio anuncia candidatura à presidência

Sunita pode concorrer com Assad, que deve tentar a reeleição; ONU criticou realização do pleito

O Estado de S. Paulo,

23 de abril de 2014 | 11h51

(Atualizada às 15h10) DAMASCO - O parlamentar sírio Maher Abdel-Hafiz Hajjar anunciou sua candidatura nesta quarta-feira, 23, para a eleição presidencial de 3 de junho, informou a agência estatal síria Sana. O candidato é o primeiro concorrente do atual presidente, Bashar Assad, que insinuou que poderia tentar a reeleição, mas não anunciou a candidatura.

Segundo a nova lei eleitoral, a eleição deve ser disputada com mais de um candidato. Analistas anteciparam, de acordo com a Associated Press, que pelo menos um concorrente deveria apresentar a candidatura para legitimar a eleição.

Hajjar, de 43 anos, é da cidade de Alepo e seus antepassados conhecem profundamente a lei islâmica, o que, segundo a Sana, sugere que o candidato faz parte da maioria muçulmana sunita. Em 2000, Hajjar formou o Partido da Vontade Popular em sua cidade.

"Qualquer um que cumpra as condições e submeta um pedido de indicação para este tribunal, iremos aceitar o pedido e registrá-lo", afirmou o porta-voz do Supremo Tribunal Constitucional, Majid Khadra.

A oposição síria chama a eleição deste ano de farsa, uma paródia de democracia". A ONU advertiu que a realização do pleito afetaria negativamente as perspectivas de uma solução negociada para a guerra civil, que já deixou mais de 150 mil mortos e um terço da população deslocada.

O Ministério das Relações Exteriores sírio declarou nesta quarta que a decisão de realizar a eleição foi "totalmente soberana" e não irá permitir interferência estrangeira. "Se estes países, sobretudo as nações ocidentais, estão pedindo democracia e liberdade, deveriam ouvir as opiniões dos sírios e quem escolhem nas urnas."

Não está claro como o governo sírio iria organizar comícios em um país dividido e com regiões ainda dominadas pelos rebeldes.

Os rebeldes que lutam há três anos para derrubar Assad são sunitas. Os grupos minoritários na Síria tendem a apoiar Assad ou se manterem neutras, com medo de que seja eleito um governo muçulmano intransigente./ AP

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.