Parlamentar turco denuncia adesão de famílias ao EI

Um líder da oposição na Turquia disse ontem que só na semana passada ao menos 53 famílias turcas - algumas com crianças - cruzaram a fronteira com a Síria para se unir ao Estado Islâmico (EI) e o governo do premiê Recep Erdogan não fez nada para impedir.

ANCARA, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2014 | 02h03

Attilla Kart, do Partido Popular Republicano, o principal de oposição na Turquia, falou sobre o assunto depois que o novo primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu, rejeitou publicamente a informação - divulgada pela imprensa ocidental - de que muitos turcos estão se unindo ao grupo jihadista.

Kart disse à reportagem da agência Associated Press que pelo menos 16 pessoas de seu distrito eleitoral em Konya, na região central da Turquia, foram até um centro de recrutamento na fronteira com a Síria, onde encontraram com outras famílias. Eles eram, então, transportados em pequenos grupos.

Ele disse que suas informações vinham de parentes de algumas dessas pessoas e de funcionários de segurança que confirmaram que o grupo viajou até a fronteira. O Ministério do Interior não comentou o assunto.

Durante viagem oficial a Chipre, Davutoglu disse que há mais pessoas de outros países europeus entrando para o grupo extremista do que turcos e insistiu que o país está fazendo tudo que pode para evitar o fluxo de potenciais recrutas do EI.

Kart rebateu a declaração do premiê. "A participação da Turquia está tão elevada, que não pode haver comparação com outros países", disse ele. O parlamentar disse que o EI estava recrutando famílias para usá-las como escudos humanos contra possíveis ataques. Davutoglu disse que propôs aos países europeus cooperação para impedir o fluxo de combatentes estrangeiros para a Síria. E disse também que a fronteira continuará aberta para receber refugiados. / AP

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