Parlamentares acusam Blair por "guerra não declarada" ao Iraque

Um grupo de parlamentares britânicos acusou duramente hoje o primeiro-ministro Tony Blair pelos contínuos e indiscriminados bombardeios sobre extensas regiões iraquianas, "colocando em perigo a estabilidade e o trabalho dos inspetores da ONU". "Os novos informes indicam que houve um aumento maciço dos bombardeios britânicos sobre o Iraque. A Secretaria da Defesa confirmou ainda que cerca de 14 toneladas de bombas foram lançadas durante 2002 sobre o solo iraquiano", declarou um porta-voz do Parlamento em Westminster. Menzies Campbell, deputado liberal-democrata e membro do Comitê de Assuntos Exteriores, disse que uma "guerra não declarada", promovida por forças americanas e britânicas, está em curso no país árabe, de forma maciça, "sem que ninguém faça nada para detê-la". As acusações dos parlamentares britânicos contra as políticas belicistas do primeiro-ministro Tony Blair e seu secretário da Defesa, Geoff Hoon, foram divulgadas após as declarações do governo iraquiano assegurando que respeitaria a data limite de 8 de dezembro para declarar seu programa de armas nucleares. No entanto, em um longa entrevista à BBC, Blair declarou que Saddam Hussein mantém escondidos arsenais de armas nucleares e biológicas de destruição em massa "embora não queira admiti-lo". "Nossa informação, que provém dos serviços secretos, é de que esses arsenais existem e estão bem equipados. Se Saddam não cooperar com os inspetores da ONU, vamos desarmá-lo à força", declarou enérgico o premier inglês. Blair considera que, caso não se resolva o problema do armamento de destruição em massa em posse do Iraque, este "passará para as mãos de outros grupos terroristas como a Al-Qaeda".

Agencia Estado,

04 Dezembro 2002 | 13h33

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