Parlamentares americanos criticam ataque à Síria

O rascunho da resolução do presidente dos EUA, Barack Obama, autorizando o uso de força militar contra a Síria pelo suposto ataque com armas químicas no mês passado, será reescrito pelo Congresso, disseram neste domingo diversos parlamentares, na saída de uma reunião com autoridades do governo. Segundo eles, o texto é muito abrangente. "Tenho certeza que o texto será alterado pelo Senado", disse o senador democrata Patrick Leahy, presidente do Comitê Judiciário e membro mais antigo da Casa. O deputado democrata Steny Hoyer disse que "ficará chocado" se o Congresso não alterar a resolução.

STEFÂNIA AKEL, Agência Estado

01 de setembro de 2013 | 21h00

Ele se recusou a dizer o que especificamente seria alterado na linguagem do texto, mas afirmou que os parlamentares terão que agir rapidamente, uma vez que há urgência também para o acordo de financiamento do governo federal a partir de 1º de outubro, quando começa um novo ano fiscal.

O deputado democrata Chris Van Hollen disse que gostaria de ver uma proibição do envio de tropas dos EUA à Síria e "alguns limites" à proposta de ação militar.

Os comentários foram feitos após os parlamentares saírem de uma reunião confidencial com autoridades do governo no Capitólio. A reunião durou mais de duas horas e meia e foi conduzida por representantes da Casa Branca, do Departamento do Estado, do Departamento de Defesa e do escritório do diretor de Inteligência Nacional.

O encontro, que consistiu basicamente de perguntas e respostas, faz parte de uma estratégia do governo para convencer um cético Congresso. "Em qualquer ligação ou reunião, vamos argumentar a mesma coisa: não agir contra Assad minimiza a lei internacional contra o uso de armas químicas e pode motivar Assad e seus aliados - o Hezbollah e o Irã -, que verão que não há consequências para uma violação da lei internacional. Qualquer um que esteja preocupado com o Irã e seus esforços na região deveria apoiar essa ação", disse uma autoridade do governo.

Assessores do Congresso afirmaram que pelo menos 70 parlamentares, representando ambos os partidos, compareceram à reunião. Diversos deles disseram que foram convencidos de que o regime de Assad foi responsável pelo ataque com gás venenoso, mas que ainda estão indecisos em relação a um ataque militar dos EUA.

O deputado republicano Tom Cole afirmou que está tendendo a votar contra a resolução e previu que será "difícil" que o texto seja aprovado na Câmara. "Acredito que há muito ceticismo entre os republicanos, mas também acho que há um pouco de ceticismo entre os democratas. Por que iríamos querer nos envolver profundamente em uma guerra civil, uma guerra religiosa?"

Ele disse acreditar que Obama respeitará o Congresso e não autorizará um ataque se a votação for negativa. Mas Obama não disse explicitamente que vai se ater à votação, após ter anunciado no sábado que buscaria a aprovação do Congresso.

O deputado republicano Scott Rigell, que escreveu na semana passada uma carta assinada por 140 deputados pedindo ao presidente que não agisse sem aprovação parlamentar, disse que continua se opondo a uma ação militar.

Outros parlamentares, porém, disseram apoiar a missão, acreditando que ela é do interesse dos EUA. "Eu basicamente apoio o presidente", disse o deputado democrata Sander Levin. "Acredito que, no fim, as pessoas votarão de acordo com os interesses do país."

Obama deve receber forte apoio de seus dois maiores aliados no Congresso: o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, e a líder da minoria democrata na Câmara, Nancy Pelosi, que prometeram angariar apoio entre democratas. Fonte: Dow Jones Newswires.

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