Parlamentares deixam Congresso equatoriano após ataque

Parlamentares do Equador deixaram o Congresso nesta quinta-feira, 12, após uma lata de gás lacrimogêneo ter explodido no prédio, em outro sinal do aumento de tensões antes de um referendo que colocou o presidente Rafael Correa e os parlamentares em lados opostos. "O governo planejou isso", disse o parlamentar Luis Almeida à televisão equatoriana, culpando um guarda-costas de congressistas leais a Correa pelo incidente, ocorrido no final da manhã. Autoridades de segurança do Congresso disseram que a lata explodiu em uma sala ao lado do plenário principal e que detiveram um suspeito que tentava fugir. Eleitores equatorianos devem apoiar um referendo, no domingo, proposto pelo presidente de esquerda para estabelecer uma nova assembléia, com o objetivo de revisar a constituição, possivelmente tirando poderes de um Congresso amplamente visto como corrupto. O Congresso, considerado culpado pela instabilidade política do país após ajudar a derrubar três presidentes em uma década, cancelaram sua sessão após espirros de gás terem entrado no plenário principal, onde os congressistas debatiam um projeto de lei. A Casa recomeçou a trabalhar na terça-feira após uma longa e amarga disputa com o presidente sobre o referendo. Mais da metade dos legisladores foram cassados e brigaram com a polícia tentando voltar ao Congresso. Substitutos assumiram os lugares dos parlamentares cassados, representando uma vitória para Correa, que faz parte da corrente dos presidentes de esquerda eleitos na América do Sul nos últimos anos e é aliado do presidente venezuelano Hugo Chávez.PeregrinaçãoO presidente equatoriano continuou peregrinação por províncias e meios de comunicação na tentativa de arrecadar votos para o "sim" na consulta popular do próximo domingo e investe em vitória para instaurar uma Assembléia Constituinte de plenos poderes.O chefe do Estado pediu aos equatorianos que "votem pelo ´sim´, pelo futuro, por um país positivo, não pelo negativo, não pelo ódio, não pelo rancor", em entrevista à emissora de TV Telerama, da cidade andina de Cuenca.Correa insistiu em que votar no "não" é fazê-lo pelos políticos tradicionais que, segundo disse, levaram o país a uma situação insustentável, da qual quer tirá-lo com a Constituinte.Para o líder, votar nulo ou em branco também significa "fazer o jogo" dos que se opõem às "profundas mudanças" que defende.O governante disse ainda que, apesar de acreditar em uma vitória "contundente" nas urnas, com uma relação de "quatro votos contra um" a favor do "sim", caso o "não" vença, ele apresentará sua renúncia, pois isso significaria que o povo deixou de apoiá-lo.Mesmo assim, Correa expressou sua confiança na vitória do "Sim ao futuro", e afirmou que, em seguida, começará o trabalho de organizar as eleições para designar os 130 participantes da assembléia da Constituinte."Nossa proposta é que haja uma Assembléia Constituinte que faça uma nova constituição e que aprove certas leis fundamentais, e que haja um Congresso que se limite a fiscalizar", disse.Além disso, Correa assinalou que a nova Carta Magna será submetida a plebiscito, para que o povo aprove sua lei básica.O governante afirmou que sua iniciativa procura enterrar o neoliberalismo, instaurar uma democracia "verdadeiramente mais participativa", criar distritos eleitorais e despolitizar as instituições do Estado.

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