Parlamento adia eleição e agrava crise no Líbano

Parlamentares libaneses decidiram ontem estender seu mandato por 16 meses, até novembro de 2014, em razão do impasse político e da violência vinda da Síria. A medida provocou protestos em Beirute. Os manifestantes carregavam cartazes dizendo que estavam de luto pelo processo democrático no Líbano e alguns atiraram tomates em carros de políticos que passavam pelo local.

BEIRUTE , O Estado de S.Paulo

01 Junho 2013 | 02h04

Combinado com a incapacidade do premiê Tammam Salam de formar um governo após dois meses de negociações, o adiamento da eleição aprofundou a sensação de desorganização no Líbano num momento de retração econômica, aumento da violência sectária e fluxo de refugiados da Síria.

A legislação eleitoral foi elaborada em 2008, mas não agradou a nenhum dos grupos sectários rivais do Líbano e seus líderes estão muito divididos para chegar a um acordo sobre uma nova fórmula. Com isso, 97 dos 128 parlamentares votaram ontem pela prorrogação de seus mandatos.

"Eles aprovaram a prorrogação nos primeiros 10 minutos", disse uma veterana fonte política que participou da votação. Foi a primeira vez que um Parlamento decidiu prorrogar o próprio mandato desde a guerra civil.

Críticos de fora do Parlamento e também o Movimento Patriótico Livre - o único bloco que votou contra a prorrogação - disseram que a decisão viola a democracia libanesa e acusaram os políticos de usarem a segurança para adiar as eleições.

Mesmo antes da escalada da violência no Líbano, na semana passada, os políticos tinham chegado a um impasse sobre mudanças na legislação eleitoral e já tinham colocado em dúvida a data da eleição, em junho. A maioria se opõe ao sistema existente de maioria simples e vinha discutindo uma lei hibrida que introduzisse a representação proporcional, mas não houve consenso. / REUTERS

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