Parlamento afegão pede julgamento de americanos responsáveis por acidente

O Parlamento do Afeganistão aprovou uma moção exigindo que o governo do país processe os soldados americanos responsáveis por um acidente de trânsito que desencadeou os piores distúrbios ocorridos em Cabul nos últimos anos, informaram autoridades locais nesta quarta-feira. A assembléia aprovou a moção, que não tem força de lei, na terça-feira, depois de um debate sobre os episódios do dia anterior, quando um caminhão militar americano aparentemente perdeu os freios e atingiu diversos veículos parados em um movimentado entroncamento na zona norte de Cabul. Cinco pessoas morreram no acidente. Afegãos revoltados iniciaram ali distúrbios que mais tarde se espalharam pela cidade inteira. Não houve vítimas entre os americanos. Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde do Afeganistão, 20 pessoas morreram e mais de 160 ficaram feridas nos distúrbios de segunda-feira. "Os responsáveis pelo acidente de segunda-feira devem ser entregues à justiça afegã", diz a moção, revelou hoje o assessor parlamentar Saleh Mohammed Saljuqi. A tenente Tamara Lawrence, porta-voz militar americana, disse que o comando das forças dos Estados Unidos no Afeganistão ainda não tiveram acesso à moção e não quis comentar o assunto. Mais cedo, o coronel americano Tom Collins informou durante entrevista coletiva que o motorista do caminhão não é suspeito de nenhuma irregularidade e não foi detido. Segundo ele, acredita-se que os freios tenham falhado por causa de superaquecimento. Ainda de acordo com Collins, o comando militar americano investiga denúncias segundo as quais os soldados envolvidos no acidente teriam aberto fogo contra afegãos revoltados que começaram a atirar pedras contra eles depois do acidente. Ele ressalvou, porém, que "os soldados usaram suas armas para se defender" porque afegãos teriam efetuado disparos contra eles. Collins disse ainda que o fato de nenhum militar americano ter ficado ferido no incidente "não significa que eles não tenham ficado em perigo".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.