REUTERS/Hannibal Hanschke
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Parlamento alemão reconhece como genocídio o massacre de armênios em 1915

Para porta-voz de partido governista turco, decisão ‘danifica seriamente’ as relações entre Berlim e Ancara. Chanceler da Turquia afirma que alemães qurem tapar seu próprio ‘passado negro’

O Estado de S. Paulo

02 Junho 2016 | 10h32

BERLIM - O Parlamento alemão aprovou nesta quinta-feira, 2, praticamente por unanimidade uma resolução que reconhece como genocídio o massacre de armênios cometido pelo Império Otomano em 1915. A votação ocorreu mesmo apesar das advertências da Turquia de que as relações bilaterais seriam afetadas pela decisão.

O texto reconhece como genocídio a morte de cerca de 1,5 milhão de pessoas das minorias cristãs da Armênia.

Após o decisão, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou que o embaixador turco em Berlim, Hüsein Avni Karslioglu, foi chamado para consultas. "A primeira reação é chamar para consultas o embaixador. Está voltando", manifestou Erdogan em declarações às emissoras turcas. O país rejeita a ideia de que o assassinato de armênios cristãos durante a Primeira Guerra Mundial equivale a um genocídio.

O porta-voz do partido governista AK respondeu rapidamente à resolução alemã, dizendo que ela "danificou seriamente" as relações entre os dois países. No momento, Berlim e parceiros europeus precisam da ajuda turca para lidar com a crise migratória.

O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, criticou a moção, que chamou de "irracional", e afirmou que ela testará a amizade entre os parceiros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). "Não há nada vergonhoso em nossa história. A Turquia nunca, nunca vai aceitar isto", disse.

O ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, foi em sua primeira reação ainda mais longe e acusou a Alemanha de ter um Parlamento "irresponsável" e de querer tapar seu próprio "passado negro", em alusão ao Holocausto. "O modo de tapar as páginas obscuras de vossa própria história não vai obscurecer as histórias de outros países", afirmou Cavusoglu em sua conta no Twitter.

A chanceler alemã, Angela Merkel, havia defendido um acordo com a Turquia mediante o qual Ancara concordou em deter o fluxo de refugiados para a Europa em troca de dinheiro, liberação de vistos de viagem para seus cidadãos e uma aceleração nas conversas sobre a filiação da Turquia à União Europeia.

Contudo, Merkel não teve como frear a resolução simbólica, que foi iniciada pelo partido oposicionista Os Verdes e teve apoio de legisladores de seu bloco conservador e dos Sociais Democratas.

"Com um voto contra e uma abstenção, esta resolução foi aprovada por uma maioria notável do Parlamento Alemão", anunciou Norbert Lammert, presidente da Câmara baixa da legislatura.

Merkel e seu ministro das Relações Exteriores não participaram da votação. /EFE e Reuters

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