Parlamento autoriza Chávez viajar para tratar câncer

A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou no início da tarde deste sábado, 16, uma autorização para que o presidente Hugo Chávez possa se ausentar do país para tratar um câncer em Cuba. A autorização foi unânime, mas a oposição pede transparência na gestão do país durante a ausência do presidente.

AE, Agência Estado

16 de julho de 2011 | 14h03

 

O presidente da Venezuela pretendia embarcar ainda na tarde deste sábado, disse o presidente da assembléia nacional congressista Fernando Soto Rojas. O deputado Carlos Escarrá, que também falou que Chávez delegaria as suas funções ao vice-presidente Elias Jaua, e que, independentemente do tratamento, o presidente continuará a suas atividades do governo de Havana.

 

“O presidente não está pedindo permissão para deixar o cargo”, concluiu Escarrá, em anúncio que causou a rejeição do bloco de oposição. Este exigia a declaração de ausência temporária de Chávez, o que prolongou o debate em uma hora.

 

“Uma coisa é a saúde do presidente e do outro é a saúde institucional do país”, disse o deputado Alfonso Marquina, líder da oposição, denunciando não declarar ausência temporária é uma decisão “fora da Constituição”. “Você não pode permitir que Havana, em Cuba, seja a sede do governo do país”, reclamou.

 

Em um evento sem precedentes no país, o debate parlamentar foi interrompido por alguns minutos por um anúncio de Chávez, em cadeia de rádio e televisão, quando desafiou os adversários. “Todo mundo tem o direito ao ridículo”, criticando parlamentares ao dizer que “mas há quem o exerça com um cinismo sem limites”.

 

Ao agradecer a autorização, disse que “manterá a posição como presidente” e que espera que seu tratamento não dure muito tempo. “Tenho muita fé em minha total recuperação,''disse o presidente venezuelano.

 

Chávez, que regressou de Havana a Caracas em 4 de julho depois de quase um mês de ausência, aguardava apenas a votação da "autorização legislativa" pela Assembleia Nacional para retomar o tratamento. O presidente foi submetido, no dia 20 de junho, a uma operação que durou cerca de seis horas, em Havana, para remover um tumor cancerígeno na região pélvica, que ele disse ter “o tamanho de uma bola de beisebol.”

 

Em menos de uma semana após ter sido levado às pressas para o pronto-socorro no início de julho, o governante de 56 anos reconheceu que teria de se submeter à quimioterapia e à radioterapia e admitiu que, graças à doença, já havia perdido 14 quilos.

 

Na manhã da quinta-feira, Chávez teria aceitado um convite da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, para tratar o câncer em um hospital de São Paulo. O governo venezuelano não deu explicação oficial para a mudança nos planos. As informações são da Associated Press.

 

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