AFP PHOTO / KIRSTY WIGGLESWORTH
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Parlamento britânico admite equívocos em ação militar na Líbia

Comissão de Assuntos Externos apontou diversos erros na intervenção britânica no território líbio, que tinha como objetivo proteger civis ameaçados pelo ditador Muamar Kadafi

O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2016 | 15h56

LONDRES - A intervenção militar britânica de 2011 na Líbia teve como base "postulados equivocados", afirmam parlamentares britânicos em um relatório publicado nesta quarta-feira, 14, que critica severamente o ex-primeiro-ministro David Cameron.

A Comissão de Assuntos Externos apontou vários erros no processo que levou Londres a intervir militarmente ao lado da França, em 2011, oficialmente para proteger civis ameaçados pelo ditador líbio Muamar Kadafi.

O governo "não conseguiu comprovar a ameaça real do regime de Kadafi aos civis e, assim, levou ao pé da letra e de maneira seletiva certos elementos da retórica" do ditador, além de "fracassar na identificação das facções islâmicas radicais dentro da rebelião" líbia, concluíram os parlamentares. "A estratégia do Reino Unido foi fundamentada em postulados equivocados e em uma análise parcial das provas", destacou o relatório.

Cinco anos após a queda e morte de Kadafi, o caos impera na Líbia, país rico em petróleo e onde um governo de união nacional (GNA), apoiado pela ONU, não consegue estabelecer sua autoridade no conjunto do país.

As forças do governo do leste líbio, não reconhecido internacionalmente, assumiram o controle de quatro terminais do chamado Crescente Petroleiro, instalações cruciais para a economia do país situadas entre Benghazi e Sirte, a última cidade onde as tropas do GNA tentam, há quatro meses, expulsar o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

Segundo Crispin Blunt, presidente da comissão, o governo Cameron deveria ter privilegiado outras opções, como um "compromisso político capaz de proteger a população civil e mudar o regime a um custo menor para a Líbia e o Reino Unido".

David Cameron também deveria ter compreendido que os radicais islâmicos tentariam tirar proveito da rebelião, destaca o documento, que não identifica uma análise correta da natureza da revolta líbia por parte de Londres.

Cameron "foi o responsável final pelo fracasso do desenvolvimento de uma estratégia coerente na Líbia", concluíram os deputados.

O ex-premiê conservador não prestou depoimento à comissão alegando "uma agenda pesada".

O fracasso da transição pós-Kadafi na Líbia também é um tema sensível nos EUA, onde a secretária de Estado na época e hoje candidata à presidência, Hillary Clinton, é acusada de negligência na reação ao ataque ao consulado americano em Benghazi, em 2012, no qual morreram o embaixador Christopher Stevens e outros três americanos. / AFP

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