Parlamento britânico desqualifica Murdoch

Dono da News Corp. é avaliado incapaz de liderar megaconglomerado de mídia e responsabilizado pelo escândalo de grampos do 'News of the World'

LONDRES, O Estado de S.Paulo

02 Maio 2012 | 03h06

Parlamentares britânicos afirmaram que o magnata Rupert Murdoch "não tem condições" de liderar uma empresa como a News Corp. e é responsável pelo escândalo de escutas ilegais do tabloide News of the World. As afirmações constam no relatório de um comitê parlamentar multipartidário, aprovado ontem por seis votos a quatro - todos os contrários foram dados por membros do Partido Conservador, do premiê David Cameron.

No relatório, os parlamentares acusaram Murdoch e seu filho, James, ex-presidente da News International, braço europeu da News Corp., de supervisionar uma cultura corporativa que "ocultava" práticas ilegais. Os deputados não aceitaram a justificativa dada por Murdoch de que não sabia do alcance dos grampos do News of the World.

"Se isso é verdade, ele fechou os olhos e demonstrou uma cegueira voluntária em relação ao que ocorria em sua companhia", disse o texto. "Concluímos, então, que ele não tem condições para exercer o cargo de líder em uma empresa de porte internacional."

O relatório também sugere que a News Corp. não tem condições de controlar totalmente a operadora de TV por satélite British Sky Broadcasting (BSkyB). Murdoch, que já tem 39% da empresa, teve de retirar uma oferta de US$ 12 bilhões pela compra das ações restantes por causa do escândalo do News of the World.

A Ofcom, órgão do governo que regula a imprensa na Grã-Bretanha, disse que está analisando o relatório com atenção. "Temos o dever de garantir que a pessoa a quem é dada uma licença de transmissão é e continua sendo capaz disso", afirmou o órgão, em comunicado.

Em declaração feita em sua sede, em Nova York, a News Corp.disse que "avaliaria cuidadosamente o relatório" e responderá em breve. Disse também que a empresa admite as falhas no caso do News of the World" e "pede desculpas a todos cuja privacidade foi invadida". Todos os integrantes da comissão foram unânimes quanto à parte do texto que critica James Murdoch por seu papel no escândalo. "Como chefe de uma empresa jornalística, é impressionante o fato de ele não ter procurado mais informações sobre o caso", disse texto. / NYT e REUTERS

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