Parlamento britânico fiscaliza contas da rainha

As finanças da rainha Elizabeth II da Inglaterra foram abertas para escrutínio nesta segunda-feira, com o Parlamento usando pela primeira vez seus novos poderes para questionar o principal assessor financeiro da monarquia sobre o motivo da Casa Real estar esbanjando dinheiro enquanto o resto do país passa por um período de austeridade.

AE, Agência Estado

14 de outubro de 2013 | 16h41

Durante a audiência com o tesoureiro da rainha, Alan Reid, vieram à tona informações raras sobre o estilo de vida da família real, incluindo detalhes sobre o antiquado sistema de calefação do Palácio de Buckingham, o crescente uso de energia e o desconfortável trem real, com sua decoração da década de 1970. Durante uma hora e meia os parlamentares questionaram o representante real sobre a razão dos gastos da rainha terem ficado em 33,3 milhões de libras no último ano fiscal - encerrado em 31 de março deste ano - quando o orçamento era de apenas 31 milhões de libras.

O déficit fez com que a família real, que emprega quase 1,2 mil pessoas, tivesse de retirar 2,3 milhões de libras do seu fundo de reserva, cujo saldo assim caiu para apenas 1 milhão de libras. "Em função do estado das finanças pública, todos os serviços financiados pelo erário público têm enfrentado cortes. O que eu não entendo é por quê isso não levou a família real a cortar gastos, para viver de acordo com seus recursos", afirmou Margareth Hodge, presidente do Comitê de Contas Públicas.

Segundo Reid, os gastos da família real aumentaram em função do Jubileu de Diamante de Elizabeth II, celebrado em 2012. "Nós realmente acreditamos que não é sábio reduzir o ritmo de atividade da monarquia", comentou o tesoureiro, alegando que os eventos da família real atraem turistas e colaboram assim para a economia do Reino Unido.

A mudança na legislação que permitiu o depoimento do tesoureiro da rainha foi feita em abril, como parte de uma ampla reforma na fiscalização das finanças da família real. Também foram feitas alterações na forma como a monarquia é financiada, na maior reformulação desde 1760, quando o rei George III concordou em entregar a renda oriunda das propriedades da coroa para o Tesouro, em troca de um pagamento anual.

Agora a família real recebe o equivalente a 15% da renda das propriedades da coroa nos últimos dois anos. Essas propriedades são avaliadas em 7,3 bilhões de libras, com fazendas de gado na Escócia, imóveis em Londres e minas no sul da Inglaterra.

Nos últimos 20 anos a renda da família real tem caído fortemente. O financiamento para viagens encolheu 76% o fundo para a manutenção dos palácios teve redução de 60%. Segundo Reid, a manutenção dos palácios é uma das maiores fontes de gastos da rainha. De acordo com ele, quase 39% dos palácios estão aquém das condições ideais e custaria cerca de 50 milhões de libras para repará-los. Fonte: Dow Jones Newswires.

Tudo o que sabemos sobre:
Reino UnidorainhacontasElizabeth II

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.