Parlamento britânico quer ouvir executivos da News Corp.

Os principais executivos da News Corp. foram convocados a comparecer perante um comitê do Parlamento britânico para responder perguntas a respeito do escândalo de grampos telefônicos. Ainda não há uma data exata definida para essa audiência.

AE, Agência Estado

12 de julho de 2011 | 13h25

O Comitê de Cultura, Mídia e Esportes do Parlamento pediu que Rupert Murdoch, presidente e executivo-chefe da News Corp., James Murdoch, vice-diretor de operações da companhia, e Rebekah Brooks, executiva-chefe da News International - a unidade britânica de jornais da News Corp. -, compareçam a uma audiência que pode ser realizada já na próxima semana.

A News International informou que está ciente da convocação e que "vai cooperar". O comitê deve se concentrar nas recentes acusações surgidas a respeito de grampos telefônicos ilegais, assim como questionar se os executivos da News International enganaram o Parlamento durante interrogatórios anteriores.

"Tendo em vista os acontecimentos desta semana sobre grampos telefônicos ilegais, várias questões surgiram a respeito das provas dadas a este comitê por uma série de testemunhas em inquéritos anteriores sobre padrões da imprensa, difamação e privacidade", disse o presidente do comitê, John Whittingdale, em comunicado. "Em particular, James Murdoch disse que o Parlamento foi enganado. Esta é uma questão muito séria que não pode ficar sem resposta. Portanto, estamos hoje convocando James Murdoch, Rupert Murdoch e Rebekah Brooks a comparecerem perante nós na semana que vem."

Executivos que trabalham e trabalharam para a empresa compareceram perante o comitê em duas ocasiões. Dentre eles estão o executivo-chefe da Dow Jones, Les Hinton, antigo auxiliar de Murdoch que presidia a News International quando a questão dos grampos telefônicos veio à tona. Em 2007 e novamente em 2009, Hinton disse ao comitê que a empresa havia realizado uma ampla investigação sobre o assunto e que estava convencida de que apenas um dos jornalistas da companhia estava envolvido no caso.

Em comunicado divulgado na semana passada, James Murdoch disse que a investigação sobre os grampos telefônicos no News of the World e na News International havia falhado em "chegar ao fundo das irregularidades que ocorreram repetidamente" e, como resultado, "erroneamente afirmou que essas questões estavam confinadas a um repórter".

O vice-diretor de operações acrescentou que a companhia reuniu agora evidências que, segundo ele, "vão provar que isso não é verdade". "O jornal fez declarações ao Parlamento sem estar da posse completa dos fatos. Isto foi errado", afirmou Murdoch em comunicado.

Após uma investigação policial, o ex-correspondente para assuntos da realeza do News of the World, Clive Goodman, foi preso em 2007 por interceptação de mensagens telefônicas. Desde então, surgiram informações de que a prática era mais generalizada. Nos últimos meses, a polícia deteve funcionários e ex-funcionários do News of the World sob suspeita de grampos telefônicos ilegais e de suborno a policiais. Dentre eles está Andy Coulson, que era editor do News of the World quando a maior parte das supostas irregularidades ocorreram. As informações são da Dow Jones.

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