Lorraine O'Sullivan / AFP
Lorraine O'Sullivan / AFP

Parlamento britânico será suspenso logo após debates desta segunda

Boris Johnson diz que suspensão é necessária para apresentação de novo programa de política doméstica

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2019 | 08h26
Atualizado 09 de setembro de 2019 | 11h17


LONDRES - O Parlamento britânico será suspenso por cinco semanas após a votação nesta segunda-feira à noite, 9, de uma moção do governo pedindo eleições legislativas antecipadas, anunciou um porta-voz do primeiro-ministro Boris Johnson.

A suspensão até 14 de outubro - que, segundo o porta-voz, acontecerá independentemente do resultado da votação - provocou uma onda de indignação no Reino Unido quando foi anunciada no fim de agosto por Johnson, acusado de realizar manobras para conduzir o país para um Brexit sem acordo no dia 31 de outubro.

O líder, que chegou ao poder no fim de julho, justificou a suspensão pela necessidade de preparar e apresentar um novo programa de política doméstica.

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Cenário improvável

É improvável que o Executivo obtenha a maioria de dois terços necessária para convocar eleições antecipadas, que ele gostaria de realizar em 15 de outubro, quando os parlamentares votarem no final da noite.

A oposição teme que Boris Johnson ignore a lei aprovada na semana passada com o apoio dos parlamentares conservadores rebeldes, forçando-o a buscar um adiamento de três meses do Brexit se não chegar a um acordo de saída até 19 de outubro.

Esta manhã, os líderes da oposição "concordaram em trabalhar juntos para fazer com que o governo se justifique perante o Parlamento", declarou o porta-voz do líder trabalhista Jeremy Corbyn.

"Eles concordaram em não apoiar a estratégia de Boris Johnson de privar o povo de seu poder de decisão, deixando a UE sem acordo durante uma campanha eleitoral", acrescentou o porta-voz.

França rejeita adiar o Brexit 

 O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, rejeitou neste domingo, 8, qualquer novo adiamento do Brexit nas circunstâncias atuais. "No atual estado de coisas, é 'não'", disse ele em um programa da Europe1/CNEWS/Les Echos.

Não vamos voltar a adiar a cada três meses" para discutir um adiamento do Brexit, acrescentou. "Eles (os britânicos) dizem que querem propor outras soluções, acordos alternativos para se assegurar da saída (...). Mas, como não vimos isso, é 'não'. Não podemos voltar a começar a cada três meses. Que as autoridades britânicas nos indiquem o caminho", completou Le Drian.

"Os britânicos que assumam a sua situação porque estão em um beco. Agora, não há maioria para nada no Parlamento britânico", nem para um Brexit sem acordo e nem para a convocação de eleições, afirmou o ministro francês.


UE se prepara para Brexit sem acordo 

União Europeia (UE) não quer passar a imagem do carrasco que empurrou o Reino Unido para o abismo. Ao mesmo tempo, o bloco já se prepara para o impacto de um Brexit sem acordo. Um dos países que mais se planejou foi a Irlanda, de longe o que será mais afetado. 

Nos últimos três anos, o governo irlandês vem aprimorando um plano para manter mercadorias fluindo pelos portos de entrada, evitando atrasos. “Temos de nos preparar para o pior”, disse Heather Humphreys, ministra do Comércio. As obras no Porto de Dublin incluem a construção de pontos de inspeção, ampliação do estacionamento para caminhões e contratação de pessoal.

Mesmo com o plano de contingência, aprovado em julho, governo estima que um Brexit sem acordo custe 55 mil empregos na Irlanda nos dois anos seguintes. A prioridade do premiê, Leo Varadkar, é manter a fronteira com Irlanda do Norte aberta, para amenizar os prejuízos. 

Guinness, por exemplo, cerveja que é ícone nacional, é fabricado em Dublin, engarrafada em Belfast, enviada de volta para distribuição e, parte dela, volta para a Irlanda do Norte, de onde é exportada para o Reino Unido. O mesmo caminho faz o leite, enviado e encaminhado para processamento e venda em ambos os territórios. 

Da mesma forma, o comércio fluido se aplica a gado, porcos e ovelhas. Os agricultores do norte costumam vender animais para abate no sul e a carne é frequentemente enviada de volta para a Irlanda do Norte ou para o Reino Unido. “Seremos mais atingidos pelo Brexit sem acordo do que os britânicos”, disse Dan O’Brien, economista do Instituto de Assuntos Internacionais e Europeus. 

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