Parlamento catalão aprova consulta sobre independência

Governo espanhol promete bloquear iniciativa, alegando que, segundo a Constituição, a região não pode convocar referendo

BARCELONA, O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2013 | 02h04

O Parlamento da Catalunha aprovou ontem uma declaração de soberania que abre caminho para a realização de uma consulta popular sobre a independência da região, no noroeste da Espanha.

A proposta não vinculante e simbólica - que sustenta que o povo da Catalunha tem o direito constitucional de decidir sobre sua soberania - recebeu 85 votos a favor (a maioria de nacionalistas catalães e independentistas), 41 contra (de socialistas e membros do Partido Popular catalão) e 2 abstenções.

"Segundo a vontade majoritária, expressada democraticamente pelo povo catalão, o Parlamento da Catalunha concorda em iniciar o processo para fazer efetivo o exercício do direito de decidir, de modo que os cidadãos da Catalunha possam decidir seu futuro político coletivo", disse a resolução.

O governo central espanhol disse que vai bloquear nos tribunais a realização de um referendo. Madri assegura que, segundo a Constituição, as instituições autônomas da Catalunha não têm competência para convocar um referendo.

O crescente sentimento separatista na Catalunha converteu-se em uma dor de cabeça para o primeiro-ministro Mariano Rajoy, que luta para adiar um resgate internacional e impõe impopulares cortes para cumprir o objetivo do déficit orçamentário imposto pela União Europeia.

Segundo analistas, a declaração de soberania é uma ferramenta política com pouco mais que um valor simbólico. O próximo passo do processo é formar um Conselho Nacional de Transição que assessore no caminho rumo à independência.

A profunda recessão e o desemprego exacerbaram o separatismo na Catalunha, região responsável por um quinto da economia do país. O presidente da região autônoma da Catalunha, Artur Mas, que tem aplicado impopulares cortes de gastos, convocou no ano passado eleições antecipadas para 25 de novembro, depois de apenas dois anos no poder, com a ideia de testar o apoio à sua proposta de soberania da Catalunha.

A iniciativa partiu dos nacionalistas de direita (CiU), que governam a região, e dos independentistas de esquerda (ERC), que nas eleições se converteram na segunda maior força política da Catalunha, desbancando os socialistas. As últimas pesquisas mostram que parte da população acredita que estaria muito melhor sem a Espanha, alegando que paga muitos impostos que vão para outras áreas mais pobres do país. / REUTERS e EFE

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