Tariq Mikkel Khan/Scanpix Denmark via Reuters
Tariq Mikkel Khan/Scanpix Denmark via Reuters

Parlamento catalão propõe Puigdemont como governador da região

Presidente do Legislativo autônomo confirma indicação do governador deposto para comandar mais uma vez a região; juiz espanhol encarregado da investigação sobre o separatista rejeitou pedido de prisão feito pela procuradoria-geral do país

O Estado de S.Paulo

22 Janeiro 2018 | 09h28
Atualizado 22 Janeiro 2018 | 14h23

BARCELONA - O presidente do Parlamento da Catalunha, Roger Torrent, propôs nesta segunda-feira, 22, o nome de Carles Puigdemont, foragido da Justiça espanhola, ao governo dessa região, cargo que será votado em um debate que acontecerá até o final do mês.

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"Vou propor à Câmara o (nome do) deputado Carles Puigdemont i Casamajó como candidato à presidência da Generalitat (governo catalão)", afirmou Torrent, garantindo estar "consciente de sua absoluta legitimidade como candidato", apesar de estar exilado voluntariamente na Bélgica e ter um mandato de prisão válido na Espanha.

Torrent também disse que tentará dialogar com o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, sobe a situação de oito deputados independentistas que estão presos ou exilados, incluindo Puigdemont. 

"Propus, em carta enviada hoje mesmo ao Sr. Mariano Rajoy, sentar-me com ele para analisar e dialogar sobre a situação anormal que vive o Parlamento com oito de seus deputados vulneráveis em relação aos seus direitos políticos", completou o presidente do Legislativo regional.

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Na eleição regional do dia 21 de dezembro os partidos independentistas alcançaram 70 das 135 cadeiras da câmara, o que lhes garante a maioria absoluta, embora a situação judicial de Puigdemont suscite dúvidas sobre como será candidato ao governo regional.

Viagem à Dinamarca

O anúncio ocorreu no momento em que Puigdemont deixou a Bélgica pela primeira vez nesta segunda-feira para participar de uma conferência em Copenhague sobre a Catalunha e a Europa.

Em um debate na universidade de Copenhague, o líder separatista pediu que a União Europeia reconheça o direito de auto-determinação da Catalunha e se manteve firme em seus planos de restabelecer seu "governo legítimo".

"Não vamos capitular frente ao autoritarismo, apesar das ameaças de Madri. Logo formaremos um novo governo", ressaltou Puigdemont. 

Nos planos do político catalão está também reunir-se na terça-feira com deputados dinamarqueses na sede do Parlamento do país nórdico, segundo anunciou na sexta Magni Arge, membro de uma legenda independentista do território autônomo das Ilhas Faroe.

Madri rejeita que Puigdemont seja nomeado governador do exílio

Os partidos da coalizão do governo dinamarquês anunciaram que não participarão desta reunião, para não envolver-se em assuntos espanhóis nem dar a impressão equivocada que simpatizam com os separatistas catalães, segundo explicaram.

Nesta segunda, a procuradoria espanhola solicitou a ativação de um mandado de prisão europeu para permitir a detenção do líder catão pela autoridade judiciária dinamarquesa. 

No entanto, o juiz espanhol encarregado da investigação sobre o separatista catalão rejeitou este pedido, considerando que este deslocamento buscava precisamente "provocar esta prisão no exterior". De acordo com o juiz Pablo Llarena, o movimento seria parte de uma estratégia, visando a reunir argumentos para ser empossado como presidente da Catalunha apesar de sua ausência.

Na Bélgica, Puigdemont não é processado pela Justiça espanhola para evitar diferenças de interpretação entre os juízes belgas e espanhóis sobre a gravidade das infrações de que é acusado, incluindo a controversa "rebelião". / EFE, REUTERS e AFP

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