REUTERS/Azad Lashkari
REUTERS/Azad Lashkari

Parlamento curdo aprova organização de referendo de independência

Sem ausência da oposição, que boicotou sessão, deputados da região semiautônoma no Iraque decidiram por unanimidade realizar a consulta independentista no dia 25; EUA e outros países apresentaram projeto propondo alternativas ao referendo

O Estado de S.Paulo

15 Setembro 2017 | 16h29

IRBIL - O Parlamento da região autônoma do Curdistão iraquiano aprovou, de forma unânime, nesta sexta-feira, 15, a realização de um referendo de independência em 25 de setembro, na ausência de oposição que boicotou a sessão.

Após o voto a mão erguida, o vice-presidente do Parlamento, Jaafar Aimenky, que presidiu a sessão, indicou que o referendo será realizado na data prevista após "o voto unânime dos 65 deputados presentes".

Este referendo preocupa os países vizinhos, como Turquia e Irã, que temem que as ideias separatistas de Irbil se propaguem para suas próprias comunidades curdas. Também inquieta os Estados Unidos, que consideram a consulta popular como um obstáculo na luta contra o grupo Estado Islâmico (EI), conduzida conjuntamente com os curdos.

Numa tentativa de postergar a votação, os EUA e outros países apresentaram na quinta-feira ao presidente curdo Masud Barzani um projeto propondo alternativas ao referendo, segundo o emissário americano da coalizão que combate os extremistas no Iraque, Brett McGurk. O presidente curdo insiste na independência como a única opção para o seu povo.

Há mais de dois anos o Parlamento curdo não se reunia e foi após longas negociações que o Partido Democrático do Curdistão (PDK), de Barzani, conseguiu entrar em acordo com as demais formações curdas, a União Patriótica do Curdistão (UPK), de Khalal Talabani, e o Goran, para reabrir uma sessão parlamentar.

O Parlamento federal chegou a votar em duas ocasiões contra o referendo de independência. Em ambas as vezes, os deputados curdos abandonaram a sala em protesto.

Proteger a unidade

Na terça-feira, o Parlamento federal votou contra a realização deste referendo para "proteger a unidade do Iraque" e, na quinta-feira, destituiu o governador da província de Kirkuk - rica em petróleo e alvo de disputas territoriais entre o governo de Bagdá e as autoridades curdas - por decidir, contra a opinião do governo iraquiano, organizar o referendo em sua região.

O Curdistão iraquiano dispõe desde 1991 de certa autonomia, que foi estendida ao longo dos anos. Ao anunciar em junho a data do referendo, Barzani enviou um sinal claro, segundo os especialistas, de que o Iraque entrava em uma nova fase.

Depois de três anos de luta para expulsar os extremistas islâmicos - que chegaram a controlar um terço do território iraquiano - o país volta a se concentrar em  seus problemas confessionais e étnicos de antes da chegada do EI.

Há temores quanto a possíveis confrontos entre os peshmergas (combatentes curdos) e as muitas unidades paramilitares espalhadas por todo o país, que poderiam disputar as áreas reconquistadas das mãos dos jihadistas.

O influente comandante xiita Hadi al-Ameri, chefe da organização Badr - poderoso grupo paramilitar iraquiano apoiado pelo Irã - multiplicou recentemente as advertências contra uma "guerra civil".

Na quinta-feira, a Turquia alertou que a organização do referendo "terá um preço", um posicionamento capaz de comprometer a viabilidade de um possível Estado curdo, enquanto o Curdistão iraquiano obtém a maior parte da sua renda com a exportação de petróleo através de um gasoduto que chega ao porto turco de Ceyhan.

Os próprios 5,5 milhões de curdos iraquianos chamados a votar sobre a independência estão divididos sobre a oportunidade de realizar esta consulta neste momento. / AFP

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