Francisco Seco/AP
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Parlamento da UE aprova acordo do Brexit

Parlamento europeu conclui último passo formal antes da saída do Reino Unido do bloco, na sexta-feira; presidente da Comissão Europeia cita George Eliot

Redação, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2020 | 15h18
Atualizado 29 de janeiro de 2020 | 16h35

BRUXELAS - O Parlamento da União Europeia aprovou nesta quarta-feira, 29, por ampla maioria, o acordo do Brexit e concluiu o último passo formal antes da saída do Reino Unido do bloco, na sexta-feira. O texto recebeu 621 votos a favor e 49 contra, além de 13 abstenções, validando a saída ordenada dos britânicos do bloco. 

"Somente na agonia da separação olhamos para a profundidade do amor", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que citou o poeta britânico George Eliot. "Sempre te amaremos e nunca estaremos longe", acrescentou.

Quando o voto favorável já era dado como certo, o protagonismo ficou com os deputados britânicos, que na sexta-feira deixarão o hemiciclo europeu, especialmente Nigel Farange, para quem o evento marca "um ponto sem retorno".

"É a data mais importante desde que Henrique VIII nos tirou da Igreja de Roma. Vamos sair do Tratado de Roma", declarou Farage, para quem países como Dinamarca, Itália ou Polônia seguirão os passos do Reino Unido.

A líder dos social-democratas (S&D) no hemiciclo, a espanhola Iratxe Garcia, não conseguiu conter as lágrimas ao se despedir de seus colegas britânicos.

"É um dia triste para o nosso Parlamento", lamentou David Sassoli, presidente (S&D) da instituição durante a pequena cerimônia organizada por seu partido. "Em um dia como esse, devemos nos unir ainda mais", afirmou. 

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O dia começou com uma entrevista coletiva de Farage, líder do Partido do Brexit e histórico opositor da UE no hemiciclo. 

Satisfeito por ter interpretado "o vilão", alimentou a oposição à UE com vídeos no YouTube e intervenções teatrais. Mas também insistiu na gravidade do Brexit, que ele comparou com a ruptura de Henrique VIII com o papa de Roma em 1534.

Ao contrário dos partidários do Brexit, as instituições europeias mantiveram a discrição. A assinatura oficial do acordo na sexta-feira passada pelos presidentes da Comissão e do Conselho Europeus aconteceu de madrugada e sem jornalistas.

A Eurocâmara parece seguir a mesma linha. Seu presidente convocou uma cerimônia curta após a votação. A retirada das bandeiras britânicas das instituições europeias não terá uma cerimônia oficial.

"Isto será feito com toda a dignidade necessária", afirmou, no entanto, uma porta-voz do Parlamento Europeu, ao informar que um exemplar da 'Union Jack' (bandeira do Reino Unido) será conservado na Casa da História Europeia de Bruxelas.

Um capítulo se encerra, mas abre-se um novo período de negociações igualmente difícil: o de transição até o fim de dezembro, durante o qual o Reino Unido continuará a aplicar as regras comunitárias, a UE e Londres terão de definir seu futuro relacionamento.

O negociador da UE Michel Barnier apresentou o projeto de mandato de negociação à Comissão Europeia nesta quarta-feira, mas que não será tornado pública até segunda-feira, quando o Reino Unido se tornar um país terceiro.

"O dia da partida britânica certamente não é de comemoração, mas de tristeza", comentou o comissário europeu Maros Sefcovic em entrevista coletiva. "Mas agora passamos ao próximo capítulo."/AFP e Ansa

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