Parlamento da UE cogita boicote à abertura dos Jogos em Pequim

O Parlamento Europeu deve pedir naquarta-feira que os líderes da União Européia (UE) boicotem acerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim se a Chinanão der início a negociações com o Dalai Lama a respeito dosrecentes episódios de violência verificados no Tibet. Os principais grupos políticos da assembléia da UEreuniram-se na segunda-feira para acertar um acordosuprapartidário estabelecendo a forma pela qual o bloco,composto por 27 países-membros, deveria responder àsmanifestações antigoverno ocorridas no mês passado naquelaregião do Himalaia. A resolução, a ser votada na quarta-feira e obtida pelaReuters, diz o seguinte: "O Parlamento Europeu convoca aPresidência da UE em exercício a encontrar uma postura comum daUE com vistas ao comparecimento à cerimônia de abertura dosJogos Olímpicos com a opção de não-comparecimento caso não hajauma retomada do diálogo entre as autoridades chinesas e SuaSantidade o Dalai Lama". No mês passado, a capital do Tibet, Lhasa, transformou-seem centro das manifestações realizadas por monges budistascontrários ao domínio chinês. O governo da China acusou o DalaiLama, que vive exilado na Índia, de ter arquitetado osprotestos. O líder espiritual do Tibet nega ter incitado os violentosdistúrbios e disse que deseja conversar com a China a fim dediscutir a autonomia da região, e não sua independência. Ogoverno chinês recusa-se a conversar com o Dalai Lama. Até agora, a Eslovênia, que ocupa atualmente a Presidênciarotativa da UE, e autoridades importantes do bloco condenaramos distúrbios em Lhasa, que mancharam os preparativosrealizados pela China antes dos Jogos. Essas autoridades defenderam a realização de negociações,mas não chegaram a pedir um boicote às Olimpíadas. "Essa resolução a ser adotada pelo Parlamento manda umultimato à China para que negocie com o Dalai Lama sob a ameaçade haver um boicote", disse à Reuters um importante membro doParlamento familiarizado com a elaboração do documento. "Basicamente a mensagem é esta: conversem com o Dalai Lamaantes de agosto ou corram o risco de ver um estádio meio vazioe mais situações embaraçosas." A votação de quarta-feira acontece em Bruxelas depois de atocha olímpica ter encontrado manifestantes pró-Tibet emLondres, no domingo, e em Paris, um dia depois, obrigando osresponsáveis a apagá-la várias vezes. Os parlamentares europeus, eleitos por voto direto e queparticipam da estipulação de cerca de 90 por cento daspolíticas do bloco, não podem determinar os rumos da políticaexterna da UE. Mas podem exercer uma grande pressão política sobre aPresidência do bloco, sobre a Comissão Européia (seu PoderExecutivo) e sobre Javier Solana, alto representante da UE, afim de que adotem medidas de acordo com a opinião deles. No mês passado, o presidente do Parlamento europeu,Hans-Gert Poettering, um aliado da primeira-ministra alemã,Angela Merkel, disse que o bloco avaliaria a possibilidade denão participar da cerimônia de abertura em Pequim. Alguns líderes e ministros das Relações Exteriores depaíses-membros da UE, como o chanceler da França, BernardKouchner, também aventaram a hipótese de não participar dosJogos. Há dirigentes para os quais os dois assuntos não deveriamser misturados, ao passo que outros preocupam-se com apossibilidade de um eventual boicote prejudicar os lucrativosnegócios com a China.

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