AFP PHOTO / www.cubadebate.cu
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Díaz-Canel promete pouco espaço para capitalismo ao assumir presidência de Cuba

Novo líder promete continuar tanto a revolução de seus antecessores quanto a atualização do modelo econômico; ele também deve substituir Raúl na liderança do Partido Comunista em 2021, segundo o próprio ex-presidente

O Estado de S.Paulo

19 Abril 2018 | 11h50
Atualizado 19 Abril 2018 | 14h26

HAVANA - Parlamentares cubanos anunciaram nesta quinta-feira, 19, a eleição do candidato único Miguel Díaz-Canel para substituir Raúl Castro como presidente do país, marcando um novo capítulo na história da ilha comunista. Logo após o anúncio, Díaz-Canel tomou posse como novo mandatário de Cuba.

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"Miguel Mario Díaz-Canel, de 57 anos, foi eleito Presidente do Conselho de Estado e do Conselho de Ministros da República de Cuba pela recém-constituída Assembleia Nacional do Poder Popular em sua Nona Legislatura, que está em sessão desde quarta-feira no Palácio das Convenções de Havana", informou o blog oficialista Cubadebate.

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O novo líder prometeu continuar tanto a revolução de seus antecessores quanto a atualização do modelo econômico iniciada com Raúl. "O mandato dado pelo povo a esta legislatura é dar continuidade à Revolução Cubana em um momento histórico crucial, que será marcado por tudo que devemos avançar na atualização do modelo econômico", disse Díaz-Canel em seu primeiro discurso como presidente ante a Assembleia Nacional.

Ele afirmou que a política externa da ilha se "manterá inalterável" e o país caribenho "não fará concessões contra sua soberania e independência, e não negociará seus princípios". Díaz-Canel ressaltou que a transição não contará com mudanças radicais no país e prometeu que não haverá um retorno ao capitalismo.

O novo líder também ressaltou que o mundo está "em uma conjuntura internacional caracterizada pela crescente ameaça à paz e à segurança". "Em tal contexto, ratifico que a política externa cubana se manterá inalterável e reiteramos que ninguém conseguirá debilitar a Revolução e nem dobrar o povo cubano, porque Cuba não faz concessões contra sua soberania e independência", afirmou o novo presidente. 

Díaz-Canel também deve substituir Raúl na liderança do Partido Comunista (PCC) em 2021, quando está previsto o 8.º Congresso do grupo, segundo o próprio ex-mandatário. "Foi planejado assim", disse Raúl Castro, que seguirá ocupando o cargo de primeiro-secretário do PCC durante os próximos três anos.

Confirmação

Miguel Díaz-Canel foi confirmado com 99,83% dos votos da Assembleia Nacional, segundo dados divulgados pela presidente da Comissão Eleitoral Nacional, Alina Balseiro. O veterano Salvador Valdés Mesa foi eleito primeiro vice-presidente.

Após conhecerem o resultado, os deputados cubanos aplaudiram o novo presidente, que foi parabenizado com um aperto de mão e um abraço de Raúl Castro, conforme mostrou a emissora de televisão estatal.

O grupo de cinco vice-presidentes será integrado por Ramiro Valdés; pelo ministro da Saúde, Roberto Morales; pela controladora-geral, Gladys Bejerano; pela diretora do Instituto de Recursos Hídricos de Cuba, Inés María Chapman; e pela presidente da Assembleia Provincial de Santiago de Cuba, Beatriz Johnson.

Além disso, o Conselho de Estado está composto por outros 23 integrantes e um secretário, cargo que permanecerá ocupado por Homero Acosta. / REUTERS, AFP, EFE e NYT

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